Crítica: A Invenção de Hugo Cabret


Hugo Cabret

A Invenção de Hugo Cabret é uma adaptação do best-seller homônimo escrito pelo norte-americano Brian Selznick. Quem já leu ou folheou o premiado livro, sabe que a obra é um convite a se imaginar sentado no escuro à espera do início de um filme. O trabalho, com mais de 500 páginas, traz muitas ilustrações do autor – muito próximas de um storyboard – além de reproduções fotográficas históricas. Ninguém melhor que Martin Scorsese, cineasta com mais de 40 anos de uma respeitada carreira para comandar esta poética e fabulosa adaptação para às telas.

Hugo (Asa Butterfield de O Menino do Pijama Listrado) é um jovem órfão que durante os anos 1930, vive escondido na Paris Nord, gigantesca estação de trem francesa. Esgueirando-se por passagens secretas, o garoto cuida dos gigantescos relógios do lugar, enquanto tenta encontrar as peças corretas para fazer funcionar o autômato movido a corda, herdado de seu pai (Jude Law), um relojoeiro morto em um trágico incêndio.

Levado a cometer pequenos furtos para sobreviver, numa destas ocasiões é surpreendido por George (Ben Kingsley), o rabugento proprietário de uma lojinha de brinquedos, que ameaça entregá-lo ao inspetor da estação (Sacha Baron Cohen, o Borat). O que Hugo nem desconfia é que o sujeito, na verdade, é o cineasta George Méliès, e possui uma forte ligação com o robôzinho deixado por seu pai.

Scorsese, que nunca havia dirigido um longa 100% infantil até então – Kundun (1997) tem crianças no elenco, mas não é uma fita para petizes -, deve ter recebido algumas dicas do amigo Steven Spielberg, visto que o primeiro ato de Hugo tem pique de uma aventura spielberguiana. Aos poucos, o lado Scorsese vai florescendo e a obra se transforma num genial semi-documentário, onde o cineasta recria com esmero os bastidores do cinema no início do século, quando o ilusionista Meliès (1861-1938), revolucionou a sétima arte com suas inovadoras técnicas de efeitos visuais, sobretudo no pioneiro Viagem à Lua (1902).

Longe ser um filme voltado apenas para o público infantil, Hugo é indicado para cinéfilos (curiosos) de todas as idades. Repleto de homenagens e referências, trata-se de uma verdadeira aula de cinema, tanto em visual quanto em conteúdo. E por falar em visual, prepare-se para deliciosa viagem em 3D. Scorsese (que realmente filmou com câmeras 3D ao invés de simplesmente converter o longa) usa sabiamente a tecnologia de sobreposição de camadas, proporcionando uma experiência de imersão tão fantástica quanto em “Avatar”.

A Invenção de Hugo Cabret recebeu 11 indicações ao Oscar (inclusive de Melhor Filme e Diretor), todas mais do que merecidas. Tendo como principal concorrente o já comentado O Artista (indicado em 10 categorias), outra obra que reverencia a magia do cinema, teremos “briga de cachorro grande” pelas estatuetas douradas. A Fábrica de Sonhos nunca esteve tão bem representada.

(4.5/5)
A Invenção de Hugo Cabret (Hugo Cabret)
Estados Unidos, 2011 – 126 min.
Direção: Martin Scorsese. | Roteiro: John Logan.
Elenco: Asa Butterfield, Chloe Grace Moretz, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Christopher Lee.

  • Paulo Tito

    Isso é cinema verdadeiro. Fantástico. Ainda bem que de vez em quando aparecem obras magníficas como essas que dão gosto de adorar cinema

  • José

    Eu não tenho palavras para descrever o quanto eu gostei desse filme.

  • Hugo realmente é um filme fantástico!