Crítica: Drive


Drive

Filme de arte disfarçado de ação testosterona, Drive é uma obra que apesar de trazer uma trama óbvia e até soar mais do mesmo, graças ao diretor Nicolas Winding Refn (Bronson) transforma-se num triunfo (e uma grata surpresa) em todos os sentidos, um interessante exercício estilístico de clima oitentista cheio de referências ao imaginário do cinema norte-americano como Taxi Driver, Dirty Harry e a figura do machão solitário a la Clint Eastwood, John Wayne ou Sylvester Stallone.

Ryan Gosling (Tudo pelo Poder) faz o misterioso protagonista, cujo nome nunca é revelado, um sujeito caladão, que trabalha como mecânico numa oficina, é dublê de cenas arriscadas nos filmes de Hollywood, além de, nas horas vagas, fazer bico como chofer freelancer para criminosos em assaltos. Ao conhecer sua vizinha Irene (Carey Mulligan, de Educação), uma garçonete que cuida do filho sozinha, ele acaba se envolvendo emocionalmente. Embora atraídos, nunca assumem efetivamente a relação, e a saída do marido de Irene da cadeia só complica a situação.

Disposto a ajudar o sujeito que se mostra arrependido da vida pregressa e ama a família, nosso anti-heroi concorda em ser motorista de um roubo milionário para que o ex-detento quite o débito com um poderoso mafioso de Los Angeles. Obviamente, as coisas não saem como planejado, dando inicio a uma violenta sucessão de eventos que trará consequências desastrosas para todos.

Drive, apesar de calcado na estrutura de um longa de ação, desvia bastante do padrão cinematográfico estabelecido por Hollywood para este gênero. Refn, um esteta visual, opera sua câmera com ângulos e movimentos sensacionais, e mesmo trabalhando com planos enormes, consegue captar com maestria as mínimas emoções dos seus atores – suspiros, hesitações, pensamentos – apenas com um close bem inserido por alguns segundos.

Se o diretor cumpre com excelência sua função, o mesmo também pode ser dito do elenco que dá vida a história. Além de Gosling e Mulligan que se entregam com suavidade aos seus personagens, ainda contamos com performances entusiasmadas de Bryan Cranston (o dono da oficina e mentor de Gosling) e Albert Brooks (o mafioso). Ron Pearlman, Christina Hendricks e Oscar Isaac têm papeis menores, mas não menos importantes.

Apesar de muitos outros méritos técnicos e artísticos – como a edição precisa que intercala cortes rápidos e pausas profundas; a fotografia em altíssimo contraste que sabe explorar silhuetas e sombras; e a cativante trilha sonora retrô -, Drive derrapa em suas cenas de ação automobilísticas. O trailer faz crer que veremos manobras espetaculares capazes de rivalizar com as produções mainstreams, e não é o caso.

No entanto, este detalhe não é o bastante para prejudicar a experiência como um todo. Até porque este não é o foco de Refn. O dinamarquês está mais interessado em provocar o espectador com uma história sobre pessoas e relações humanas. Não foi à toa que ele foi premiado merecidamente como Melhor Diretor no Festival de Cannes 2011. E que venham as indicações ao Oscar!

(4.5/5)
Drive (Drive)
Estados Unidos, 2011 – 109 min.
Direção: Nicolas Winding Refn. | Roteiro: Hossein Amini.
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Christina Hendricks, Albert Brooks.

  • Ótimas expectativas com relação a esse filme, principalmente pelo ótimo ano de Ryan Gosling. Abs.

  • Ditao

    Cara, eu assisti esse filme. Tinha lido muita coisa sobre e tal e fui com uma expectativa enorme e… O filme é bom, ótimo. De memória agora, ele foi o melhor que vi o ano passado. Curti história, fotografia, personagens, enredo, curti tudo do filme. Recomendo pra quem quer ver um ótimo filme, passa o tempo que nem se nota.

  • ricardo

    Sinceramente, não acho que o filme derrapa nas cenas de ação automobilística, e sim tenta realçar algo mais real, e não aquela viajem toda em filmes como velozes e furiosos. O filme é muito bom de se ver, como disse anteriormente não se pode esperar um show holywoodiano como velozes e furiosos, já que não é esse o intuito do filme. Acho que a história se perde um pouco do meio para o final, na qual as várias trapalhadas do personagem protagonista levam a um final não tão convincente.

  • Renan Astério

    Filmaço… Assisti e recomendei pra vários amigos!