Crítica: Tudo Pelo Poder


Tudo pelo Poder

George Clooney, um dos atores mais politicamente engajados de Hollywood, adora financiar e dirigir projetos de pequeno porte que espetem fundo na consciência moral dos norte-americanos. Detalhista e objetivo, ele sabe criar uma relação de intimidade entre os atores e a câmera. Em Confissões de uma Mente Perigosa (2002) e sobretudo Boa Noite e Boa Sorte (2005), Clooney já havia demonstrado este talento. Tudo pelo Poder, um dos filmes mais prestigiados de 2011, consolida de vez o astro como bom diretor.

Baseado na peça de teatro Farragut North escrita pelo dramaturgo Beau Willimon em 2008 (que por sua vez foi inspirada na campanha do candidato Howard Dean em 2004), a história desenrola-se durante os dias que antecedem as Eleições Primárias de Ohio, um estado importante do ponto de vista simbólico – reza a “lenda” de que quem vence naquele colégio eleitoral tem caminho aberto para triunfar no pleito presidencial.

Clooney faz o governador democrata Mike Morris, político que lidera em todas as pesquisas e está bem perto de concorrer ao cargo mais importante da nação, mas tem suas chances ameaçadas pela possível divulgação de um escândalo. Entra em cena, Stephen Meyers (Ryan Gosling), seu talentoso consultor eleitoral, que vai iniciar uma verdadeira batalha nos bastidores e usar todas as artimanhas necessárias para evitar que o caso venha à tona prejudicando o candidato e/ou encerrando sua carreira como marketeiro.

A medida que o longa avança, vai se tornando cada vez mais sombrio. O roteiro escrito por Clooney, Willimon e Grant Heslov utiliza de situações que já ocorreram no cenário político americano – troca de favores, traições, acertos políticos, corrupção, escândalos sexuais – para construir a história. Sem tomar partido, diga-se de passagem. Clooney, um democrata na vida real, hora nenhuma usa seu filme como palanque para difamação dos republicanos. E deixa claro que, até candidatos bem intencionados (ou com melhor capacidade de fazer promessas) podem ter esqueletos escondidos no armário.

As ótimas atuações são os pilares de Ides Of March. O elenco conta com nomes de peso como Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Paul Giamatti e Jeffrey Wright, todos muito comprometidos com seus personagens, embora o filme seja claramente dominado por Clooney e Gosling. Principalmente este último, mostrando uma vez mais que é um excelente e carismático ator, cuidadoso ao escolher os trabalhos em que se associa – vide os recentes Namorados para Sempre, Amor a Toda Prova e Drive.

O tema pouco atraente pode afugentar o espectador que não se interessa por política – até porque as campanhas norte-americanas tem algumas diferenças em relação as brasileiras -, mas a obra não foca-se apenas neste assunto. Relações interpessoais, amadurecimento e ética (ou a falta dela) também fazem parte do pacote deste cínico thriller político. Repleto de reviravoltas, Tudo pelo Poder é um filme contundente, interessantíssimo e com cheiro de indicações ao Oscar, que merece ser visto.

(4/5)
Tudo pelo Poder (Ides of March)
Estados Unidos 2011 – 101 min.
Direção: George Clooney. | Roteiro: Beau Willimon, Grant Heslov e George Clooney.
Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman, Eva Rachel Wood.

  • ricardo

    Olha, excelente filme. Da um panorama legal de como funciona os bastidores de uma eleição presidencial norte- americana. Excelentes atuações de Ryan Gosling e George Clooney. Quem não gosta de um filme um pouco mais inteligente, nem comece a assistir.