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Crítica: Gato de Botas


Gato de Botas

Após 10 anos de história, iniciada com o lançamento do ogro Shrek em 2001, a divisão de animação da Dreamworks tem preferido deixar de lado a criatividade (ao contrário da “concorrente” Pixar) e investir em franquias bem sucedidas (Madagascar, Shrek - as duas últimas continuações – e Kung Fu Panda), sinônimos de prazeres escapistas, de promoções no McDonald’s e o que mais puder proporcionar de lucro para os seus realizadores. Gato de Botas, assim como Panda 2, é uma aventura descartável, divertidinha e que poderia muito bem ter seu lançamento diretamente em home vídeo.

Domesticando o anti-herói apresentado ao espectador em Shrek 2, o roteiro investe em um longo flashback da infância e adolescência do felino, antes das botas, em um orfanato no qual torna-se “irmão” do ovo (você leu direito, do Ovo), Humpty Dumpty (personagem do folclore anglo-saxão), que ambiciona desde jovem possuir os feijões mágicos para chegar ao castelo do gigante e roubar a gansa dos ovos de ouro. Depois de um incidente envolvendo a polícia causado por Humpty, os dois se separam e o Gato transforma-se em um fora-da-lei. Anos depois, ele une-se a gatinha Kitty Pata-Mansa, assecla de Humpty, na busca pelos feijões dourados.

Nesse sentido, a animação deveria ser uma aventura simples e ágil, homenageando os clássicos latinos e seus heróis, como Zorro, Don Juan, The Lone Ranger, e outros. Mas não é exatamente isto que os roteiristas obtêm nas reviravoltas confusas da narrativa e nas referências descartáveis (como àquela a Clube da Luta). Sexualizando demasiadamente o protagonista, o que é ingenuamente confundido com charme, e apostando em piadas que inevitavelmente apelam para os aspectos felinos e latinos do protagonista (Antonio Banderas), Gato de Botas é pouco inspirado para fazer frente ao sarcasmo do ogro que o alçou à fama.

Por outro lado, a direção de Chris Miller é muito competente, e transformando as cenas de ação nos pontos altos do filme, que acertam justamente na escala de sua concepção, na liberdade da câmera digital e no frênesi empolgante. Além disso, a influência do western spaghetti é bem-vinda, e particularmente um plano dividido do gato e um corvo arranco risos simplesmente pela concepção simplista e eficiente. Da mesma maneira, a fotografia de Eric Dapkewicz investe nas sombras e acerta especialmente nos diversos contra-luz do gato, cuja sombra parece ser sempre mais imponente que o felino.

Desconstruindo aquele que era um dos melhores personagens de Shrek 2, e afugentando a descrição de um gatinho mau para abraçar o convencional heroísmo, Gato de Botas é uma aventura divertida, indolor, facilmente esquecível e de impacto moderado, muito aquém às produções da Pixar e aos melhores exemplares da Dreamworks (Como Treinar o seu Dragão ou Megamente).


Gato de Botas (Puss in Boots)
Estados Unidos, 2011 – 90 min.
Direção: Chris Miller. | Roteiro: David H. Steinberg, Jon Zack, Tom Wheeler e Brian Lynch.
Elenco: Antonio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis, Billy Bob Thornton, Guillermo Del Toro.

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2 Comentários

  1. Concordo exatamente com a crítica, é o que realmente. E realmente, fica aquém das produções da pixar, ou seja, não espere dar risadas como você deu em algum dos filmes do Shrek.
    Resumindo é divertidinho, algumas risadinhas, mas logo depois que você sai do cinema, você já esquece dele e começa a pensar o quanto quer ver Era do gelo 4 kkk.

  2. eu amei o filme
    emocionante linda fotografia e textos inteligentes
    que pra mim não é deixa o fim infantil e bobo demais
    perfeito!

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