Crítica: Gigantes de Aço

Gigantes de Aço

Do barulho do choque de metal contra metal, ao controle remoto ou o sistema de reconhecimento específico de cada robô até os monitores que acompanham em tempo real as informações repassadas por sensores na grande arena do WBR (o campeonato mundial de boxe entre robôs no ano de 2020), tudo em Gigantes de Aço é cinematográfico demais, pensado de maneira a prender o espectador, e apostando, sem embaraço ou vergonha, em todos os clichês que pode encontrar. Ainda assim, de uma maneira estranha, essa combinação de Rocky com Transformers, é uma experiência eficiente e satisfatória que extraí sua força do carisma e charme de seu elenco e das interessantes e bem orquestradas lutas entre os robôs do título.

Diferentemente das criações, na maioria, apáticas e sem vida, da trilogia de Michael Bay, os robôs aqui possuem características que, mais do que individualizá-los, lhes conferem vida. As criações do diretor de arte Tom Meyer têm uma importância, seja em um aspecto exclusivamente estilístico, quanto com valor narrativo. Criados por Jason Matthews, da Legacy Effects, herdeira do legado de Stan Winston, os animatronics combinados com a técnica de captura de movimentos e efeitos especiais permitem um grande realismo nos combates, o que é fundamental para o sucesso da narrativa.

Mas, não apenas de ótimos caracteres técnicos sobrevive uma boa narrativa. Inspirado no conto sci-fi de Richard Matheson, o roteiro de John Gatis abusa de inúmeros subtextos exaustivamente explorados na filmografia hollywoodiana: o relacionamento de pai e filho, o amor com uma bela amiga de infância, o corporativismo contemporâneo. A competente trilha sonora de Danny Elfman combina heavy metal e rap, apesar de derrapar no maniqueísmo dos momentos de maior intensidade dramática, quando praticamente exige, com uma música melosa, o envolvimento do espectador.

É o elemento humano, porém, que faz a diferença nesse apanhado de metal. Hugh Jackman é inequivocamente um caloteiro e um canalha, capaz de vender o filho para os tios que desejam a guarda; isto, porém, não impede que todo o carisma de Wolverine suavize a aspereza da sua personalidade e transforme a arrogância e impetuosidade em traços bastante delineados. Além disso, é impossível não ter pena de um boxeador que nunca atingiu propriamente o auge e agora é apenas um coadjuvante de luxo, operando aqueles que realmente batalham no ringue.

Enquanto isso, Evangeline Lilly (Lost) equilibra o lado machão com uma bela sensibilidade e admiração pelo amigo. Finalmente, o talentoso ator mirim Dakota Goyo consegue canalizar os sentimentos fundamentais da infância, como a admiração e a curiosidade, tem uma monstruosa presença de cena e consegue arrancar sorriso despretensioso nas danças embaraçosas que o torna uma versão menos popular de Justin Bieber.

Desenvolvendo um clímax que é igualmente empolgante e emocionante, cuja pieguice justifica-se ao nascer do olhar de uma criança orgulhosa e feliz, Gigantes do Aço é tão cinematográfico e artificial quanto às lutas exibidas. Mas o é no melhor sentido, e com um sentimento de vencedor inabalável que, inevitavelmente, conquista o coração do público.

(3.5/5)
Gigantes de Aço (Real Steel)
Estados Unidos, 2011 – 127 min.
Direção: Shawn Levy. | Roteiro: John Gatins.
Elenco: Hugh Jackman, Evangeline Lilly, Dakota Goyo, Anthony Mackie, Kevin Durand, Hope Davis.

  • Josinaldo

    Assisti e gostei muito!
    Faz lembrar o filme Rocky o Lutador. Gostei do desenrolar da estória, mesmo não sendo original, é bem interessante e prende até o fim…

  • ricardo

    O que me atrai em um filme, é se ele desperta alguma emoção ou sentimento. Óbvio, gigantes de aço é um blockbuster, feito pra vender blueray nos comerciais do Disney Channel. Duvido alguém assistir esse filme e não pelo menos se emocionar com alguma cena. O clima de Rocky o lutador realmente nos prende e faz o filme ficar muito bom. Nota mais que merecida esse 7,5, igual a do IMDB.