Crítica: Amizade Colorida

Amizade Colorida

A fórmula básica das comédias românticas é muito anterior ao cinema. As peças de teatro escrita por Shakespeare no século XVI (como Muito Barulho por Nada e Sonho de Uma Noite de Verão), já exploravam a receita sobre “duas pessoas que se conhecem mas, apesar da atração óbvia entre elas, não se envolvem romanticamente por algum fator interno ou barreira externa e, depois de alguns desentendimentos, se dão conta do quanto eles são perfeitos um para o outro”.

Amizade Colorida segue esta cartilha tintim por tintim. A trama, que lembra o recente Sexo Sem Compromisso, traz Mila Kunis no papel de uma caçadora de talentos que enxerga no blogueiro interpretado por Justin Timberlake, talento para comandar a divisão online de uma famosa publicação de moda masculina. Cativado pela jovem, o designer troca Los Angeles por Nova York e ambos, que acabaram de ter seus namoros terminados abruptamente, iniciam uma amizade. E quando essa relação atinge o ápice, decidem transar apenas para aliviarem as tensões, acreditando que um relacionamento sério só atrapalharia tudo.

Se num primeiro instante, Friends With Benefits consegue “enganar” o espectador com diálogos afiados e bom ritmo – onde citações a George Clooney, Katherine Heigl, filmes e seriados são feitos na tentativa de aproximar os protagonistas da realidade -, fazendo-o acreditar que seu objetivo é mesmo tirar sarro das comédias românticas, não demora muito para o longa apelar para os clichês mais característicos do subgênero, desesperadamente tentando enquadrar-se como tal.

O que poderia ser um desastre não ocorre, graças ao astuto roteiro escrito pelo diretor Will Gluck, Keith Merryman e David A. Newman que torna esta “transição” aceitável através de divertidas situações. A química entre o casal principal também ajuda. Sem Timberlake e, principalmente, sem Kunis (indicada ao Globo de Ouro de Atriz Coadjuvante por Cisne Negro) o filme seria completamente descartável. Ainda temos de lambuja as ótimas performances dos coadjuvantes seniors Richard Jenkins (o pai com Alzheimer de Dylan) e Patricia Clarkson (a mãe inconsequente de Jamie).

Tendo os jovens como seu público alvo, o longa abusa do product placement (chamado equivocadamente no Brasil de merchandising). Sobram cenas com os gadgets da moda e nem mesmo os créditos finais são poupados – onde uma mão movimenta os nomes como se estivesse numa tela de iPad. Mas os anúncios são inseridos de maneira tão sutil que a geração facebook vai acreditar que tudo não passa de “um reconhecimento da importância da tecnologia na sociedade moderna”.

Ao abraçar o conservadorismo para não desiludir o público fiel das comédias românticas, Amizade Colorida não acrescenta nenhum frescor ao (sub)gênero que finge criticar. É mais do mesmo numa nova embalagem. Ao menos, garante risadas despretensiosas. Vá assistir com seu(sua) melhor amigo(a) e torne a experiência mais interessante.

(3/5)
Amizade Colorida (Friends With Benefits)
Estados Unidos, 2011 – 109 min.
Direção: Will Gluck. | Roteiro: Keith Merryman, David A. Newman e Will Gluck.
Elenco: Justin Timberlake, Mila Kunis, Woody Harrelson, Jenna Elfman, Patricia Clarkson.

  • ADOREI A CRÍTICA TODA !

    Mas o finalzinho nossa perfeito : "Vá assistir com seu(sua) melhor amigo(a) e torne a experiência mais interessante", demais heein 🙂

  • hmm, deve ser bem previsivel esse filme, mas a Mila Kunis tem evoluido em todos os sentidos, que mulher linda!

  • Hudson

    Para salvar este filme, só levando em conta o último parágrafo mesmo.

  • Daniel

    Afinal,a foi comprovado cientificamente que o sexo libera substancias que fazem a pessoa com se faz sexo se apegar a outra, o que aconteceu no filme.

  • Otal de Ulisses

    100 comentarios, um final feliz: Faz tudo ficar quase optimo…rss muito bom. abrçs Otal

  • Gabriel

    Melhor crítica que eu li sobre esse filme. Parabéns!

  • Michelle Porto

    Fala Getro, olha não curti muito o filme não, mas achei muito apelativo e com um finalsinho bem comum, na minha opinião faltou romance 😉 mas achei legal a matéria. Abração

    • Oi, Mi.
      O longa, na verdade, é um “update” das comédias românticas para as gerações mais novas (que a minha e a sua!) 😉

  • LUCY BENITEZ

    Eu gosto do filme Amizade Colorida, a química entre Jamie e Dylan realmente se sente em geral é muito bom filme, mas não é o fim que eu amava tanto.