Crítica: Super-8

Super 8

Filmes sobre alienígenas e criaturas ameaçadoras existem por aí aos montes. Mas poucos tem a honra de contar com a assinatura de dois grandes fãs de ficção científica como Steven Spielberg e J. J. Abrams, na produção e direção respectivamente. Spielberg, que dispensa apresentações, é reverenciado por E. T., Contatos Imediatos do Terceiro Grau e Tubarão. Abrams produziu Cloverfield – Monstro, trouxe-nos o reboot de Star Trek e deixou milhares de espectadores intrigados durante seis anos com os enigmas da série Lost. Super 8, bem que poderia se chamar “Quando Os Nerds Se Encontram”.

A história, que se passa em 1979, começa com um drama familiar: o garoto Joe Lamb (Joel Courtney) vê-se subitamente atirado num mundo sem ânimo depois que sua mãe morre num acidente na fábrica onde trabalha. Sem saber lidar com esta terrível perda e a falta de conexão emocional com o pai (Kyle Chandler), ele recorre a turma do colégio que, liderados pelo seu melhor amigo Charles (Riley Griffiths), está fazendo um curta-metragem amador sobre zumbis e conspiração governamental. É aí que Joe conhece e se apaixona por Alice Dainard (Elle Fanning, excepcional), mesmo sabendo da inimizade entre seu pai (um policial) e o dela (um colega de trabalho da falecida mãe).

Quando as crianças decidem gravar uma cena numa estação de trem abandonada, acabam testemunhando (e registrando com sua câmera super-8) uma catastrófica colisão noturna entre um caminhonete e um trem de carga. A partir desse momento, coisas estranhas começam a acontecer na pacata cidade: pessoas desaparecem a um ritmo alarmante; casas e fios de eletricidade são destruídos; e perante a presença do exército no local, todos começam a desconfiar de que algo muito errado está se passando.

O elenco infantil é notável. A química entre eles funciona tão bem que nem parece que estão atuando; são de verdade. Além dos já mencionados, merecem destaque Ryan Lee, o moleque fascinado por fogos de artifícios e explosões; Zach Mills, o contra-regra/figurante do filme mambembe que está sendo rodado e Gabriel Basso, o “herói” desta produção. O grupo, uma combinação dos aventureiros de Os Goonies (produzido por Spielberg) com os pré-adolescentes curiosos de Conta Comigo (baseado num conto de Stephen King), garante os momentos mais divertidos e envolventes – inclusive durante os créditos, quando o curta de horror que eles gravaram é exibido na íntegra.

A obra de Abrams é uma grande e nostálgica homenagem aos anos 1980, a uma visão de mundo que não existe mais e, obviamente, a Steven Spielberg. O diretor e roteirista entupiu o longa com trocentas referências aos trabalhos do seu ídolo (desde os títulos já citados como também Guerra dos Mundos e Jurassic Park) bem como utilizou o “banco de dados” spielberguiano (bicicletas, espelhos, lanternas) e até curiosidades sobre sua infância (o cineasta tinha fixação por trens e adorava juntar os amigos para fazer filmes amadores).

Super-8 não traz nada de inovador ou original. Mas, nem por isso é menos interessante e agradável de se assistir. A sci-fi rende honras ao ofício cinematográfico ao mesmo tempo que retrata com sensibilidade o universo infanto-juvenil – o amadurecimento precoce, a aceitação da morte, o primeiro amor, a interação com o mundo adulto – através de metáforas e simbolismos. Talvez não comova as gerações novas, mas vai agradar bastante aos pais destas plateias juvenis, cinéfilos que outrora jogaram Atari, tiveram walkman, usaram caneta de dez cores, leram a série Vagalume e chuparam balas Soft.

(3.5/5)
Super-8 (Idem)
Estados Unidos, 2011 – 112 min.
Direção e Roteiro: J. J. Abrams.
Elenco: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler, Riley Griffiths, Noah Emmerich.

  • Quero muito ver esse filme!
    Adorei a conclusão: "Talvez não comova as gerações novas, mas vai agradar bastante aos pais destas platéias juvenis, cinéfilos que outrora jogaram Atari, tiveram walkman, usaram caneta de dez cores, leram a série Vagalume e chuparam balas Soft."

  • aNDRE

    JA VI É MUITO BOM

  • Quando você estava falando da carreira do J.J Abrams esqueceu de comentar que ele também dirigiu Missão Impossivel 3 que,na minha opinião,é o melhor da série 😉

    • Esqueci não, Raphael. Apenas não comentei por não tratar-se de um filme de ficção científica.

  • Tudo bem.Desculpe por fazer confusão.
    P.S:a crítica está como sempre extraordinária.Parabéns.

  • Raphael

    Melhor filme do ano sem dúvida. A cena do trem foi espetacular!
    Já quero ver esse filme no oscar 2012!

  • gabriel

    Sinceramente, não gostei do filme. O que salva "um pouco" são os efeitos que dispensam comentários. Mas eu esperava mais. =/

  • Eduardo

    Muito bom esse filme! Não esperem uma história de alienígena muito diferente, mas no geral é um ótimo filme, capturou bem a sonoplastia da época e a filmagem tb!

  • Não gostei do filme, nada de novo, esperava muito mais, o trailer era muito melhor…

  • rhodes

    passa em 79…..

  • Adorei o filme apesar de não ter assistido o Original e somente esse mais moderno !! Ótima crítica

  • Leonardo

    É uma pena que as crianças / jovens de hoje, criadas trancafiadas em apartamentos e jogando "peladas" em campos de grama sintética cercadas por grades, não vão compreender a grandiosidade da inocência desse filme. Após ver este filme rejuvenesci dez anos, e me lembrei de todas as aventuras que vivi inspirado em Goones, conta comigo, de volta para o futuro… Fiquei feliz de acreditar novamente na inocência e de que "não somos todos ruins…"

  • Harley, Hugo

    Antes desta crítica, qndo eu ainda estava sentado na poltrona do cinema, eu tbm tive a impressão que o Spielberg usou o filme pra falar um pouco sobre a sua infância e os mitos de sua época. sei bem que sua infância não foi nos anos 70 mas eu percebi muito do que seria o litle Spielberg produzindo filmes com seus amigos de infância e montando maquetes. Gostei do filme mas esperava mais. Vejo propagandas e teases deste filme desde o final de 2009 e achei que viesse com algo surpreendente/ impactante. mas quem ainda não assitiu não perderá o ingresso assistindo, vale a pena