Crítica: A Árvore da Vida

Árvore da Vida

O hypado diretor Terrence Malick estreou em Cannes o seu (apenas) quinto longa, em mais de três décadas de carreira. Conhecido pelas excentricidades, por ser antissocial e genioso, não compareceu ao festival, que mesmo assim não deixou de agraciá-lo com a Palma de Ouro. Agraciado fervorosamente por uns e depredado por outros, levou o prêmio na base da polêmica. Ou talvez pelo medo do júri em dizer que o filme é simplesmente ininteligível. Sim, porque é de duvidar que todos tenham entendido a mensagem.

Feito para poucos, frustará aqueles que irão ao cinema por se tratar de um filme com Brad Pitt. Estes sairão logo no início da sessão. Uma pena, porque são os primeiros trinta minutos os melhores de A Árvore da Vida. É quando Malick explora imagens em alusão ao Big Bang e ao paraíso ou à dor dos pais pela perda de um filho.

Os pais, neste caso, são interpretados por Brad Pitt e Jessica Chastain. A atriz é uma revelação, dona de uma beleza ímpar. Pitt é regular, como um pai extremamente autoritário, que dá aos filhos uma educação calcada em dois princípios: o religioso e o machista. Sua mulher e seus filhos têm para com ele uma relação de submissão, que beira a humilhação, nos padrões de um império do medo. Assim, eles têm no aconchego da mãe (e só durante a ausência do pai) a sua válvula de escape.

Além deste tempo e da atemporalidade das imagens abstratas, acompanhamos, por mais que infimamente, um dos filhos do casal, já mais velho, vivido por Sean Penn, ainda tentando cicatrizar as graves feridas do passado. O que pode frustrar a maioria é que os três tempos não tem, na verdade, amarras. São independentes entre si e podem ser interpretados ao gosto do espectador. Isto pode ser bom, para quem não se incomode com o fato.

A cinematografia do sublime, dotado de um experimentalismo calculado e as apocalípticas visões plásticas e conceituais são o grande trunfo do longa. Um espetáculo que só poderá ser realmente apreciado numa (bem equipada) sala de cinema. A câmera, nas sequências que acompanham a família, é completamente livre,  aparentemente desgovernada e o que impressiona é que nem por isso as imagens são menos belas.

O diretor de fotografia Émmanuel Lubezki declarou à Cahiers du Cinema que o longa em blu-ray pode trazer uma versão do diretor, com seis horas de duração. Isso porque Malick tinha inicialmente oito horas de filmagens nas mãos e teve que cortar seis delas para a versão dos cinemas. Das duas uma: ou as partes que faltaram para entender qual era a intenção do diretor estarão nesta nova versão ou confirmar-se-á que o projeto não tem realmente nexo. É esperar para ver.

(4/5)
A Árvore da Vida (The Tree of Life)
Estados Unidos, 2011 – 138 min.
Direção e Roteiro: Terrence Malick.
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Hunter McCracken, Tye Sheridan.

  • Eu ainda não assisti o filme,mas eu acho o Terrence Malick um diretor superestimado. Assim como seus filmes. Além da Linha Vermelha por exemplo, foi sensção na época em que foi lançado mas eu acho um filme chatissimo,ainda mais que O Resgate do Soldado Ryan(outro filme sobre a 2 guerra) foi lançado no mesmo ano.Esse filme deve ser outro assim.

  • Renato

    Filmaço!
    Bacana a crítica.
    Também fiz minha crítica. Olha aqui: http://cinelogin.wordpress.com/2011/08/15/cinema-

  • denis

    Achei um tanto vago/cansativo o filme, nós temos que pegar umas coisas no ar mesmo. O filme fez sentido p/ mim, porém as cenas sao muito desconectadas entre si e o papel de Sean Penn está literalmente à deriva, flutuando durante todo o filme

  • ricardo

    O filme inteiro você fica pensando: Ou eu estou chapado e não estou entendendo nada, ou o diretor estava chapado e colou errado as cenas.

    Fotografia do filme é realmente bonita, era melhor ao invés de usar esse recurso em um filme, fazer uma exposição em algum museu. Porque ficou uma bosta.