Crítica: Capitão América – O Primeiro Vingador

Capitão América

Capitão América – O Primeiro Vingador chega aos cinemas com a responsabilidade ainda maior do que seus antecessores advindos das HQs da Marvel: transformar o mais simbólico dos personagens estadunidenses em algo palatável fora da América do Norte e pavimentar o caminho para “Os Vingadores”, superprodução que reunirá os superheróis do estúdio em um único filme, com estreia prevista para 2012.

O Capitão foi criado por Joe Simon e Jack Kirby durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de inflar o patriotismo norte-americano durante o conflito: em sua primeira edição nas bancas de revista, o herói aparecia esmurrando a face de Adolf Hitler. Felizmente, o plano idealizado por Kirby e Simon durante os anos 1940 foi compreensivelmente atenuado nesta adaptação cinematográfica, em virtude dos trágicos eventos (leia-se ataque ao World Trade Center, guerra do Afeganistão, crise econômica) em que se envolveram a nação ianque nos últimos anos.

A história se passa em 1941, quando os EUA decidem apoiar o eixo aliado e se preparam para enviar seus primeiros soldados para a Europa. Neste cenário, o magricela Steve Rogers (Chris Evans) tenta em vão se alistar no exército, onde é sempre recusado por ter apenas 40 quilos e vários problemas de saúde. A sorte muda quando ele é convidado por um misterioso cientista (Stanley Tucci) para fazer parte de um revolucionário programa tecnológico, que o transforma num supersoldado.

Ainda assim, não é enviado aos campos de batalha e acaba transformado por um senador oportunista no garoto-propaganda Capitão América, que percorre os Estados Unidos para ajudar a vender bônus de guerra junto a nação. Numa das excursões para levantar a moral das tropas nas linhas inimigas, surge a oportunidade de mostrar seus novos dotes, e ele torna-se símbolo da guerra contra a perigosa organização Hydra, comandada pelo vilão Johann Schmidt (Hugo Weaving), uma espécie de Hitler high-tech e mais ambicioso.

Chris Evans, que já havia encarnado o Tocha Humana nos filmes do “Quarteto Fantástico”, está perfeito como o protagonista. As cenas em que ele surge raquítico e baixinho graças aos efeitos visuais, são incrivelmente convincentes. O restante do elenco também merece menção, em especial Tommy Lee Jones (no papel de um coronel durão), que dá um show particular, roubando as cenas em que aparece.

Talvez a maior qualidade de Capitão América seja sua impressionante fidelidade para com os gibis. O desenvolvimento, a história e a evolução do personagem foram muito bem preservadas, algo que vai deixar os fãs mais radicais da Marvel felizes da vida – o filme traz inúmeras referências ao universo da editora que possivelmente só serão percebidas por esta parcela do público.

Apesar de tanta primazia (também presentes na excelente reconstituição de época e no caprichado desenho de produção), o filme peca nas cenas de ação. O diretor Joe Johnston (O Lobisomem) até que se esforça, mas não há uma única sequência movimentada na aventura que realmente empolgue, todas são muito formulaicas. Este “detalhe” pode incomodar espectadores mais exigentes, mas nada que a prévia da próxima empreitada da Marvel (exibida após os créditos), não seja capaz de amenizar. Avante, Vingadores!

(3/5)
Capitão América – O Primeiro Vingador (Captain America – The First Avenger)
Estados Unidos 2011 – 125 min.
Direção: Joe Johnston. | Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely.
Elenco: Chris Evans, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Hugo Weaving, Hayley Atwell.

  • Raphael

    Concordo plenanamente com a crítica.Realmente não há cenas de ação fantasticas como vários filmes de quadrinhos tem (Homem de Ferro,Batman-O Cavaleiro das Trevas,por exemplo)mas em conpenssação a parte técnica do filme é senssacional.A direção de arte,a trilha sonora e os efeitos visuais são na minha opinião o ponto alto do filme.Parabéns pela crítica.

  • Renato

    Boa crítica.
    Também fiz uma crítica do filme. Pode conferir aqui:

    http://cinelogin.wordpress.com/2011/08/02/cinema-

  • sonara

    é um bom filme mais esperava maiss