Crítica: Um Novo Despertar


Um Novo Despertar

Um Novo Despertar marca a quebra de um karma na vida de Jodie Foster: há dezesseis anos, ela vinha tentando dirigir seu terceiro longa-metragem, mas nenhum projeto seu conseguia sair do papel e, quando saía, encontrava tanta dificuldade que não era concluído – vide o malfadado projeto Flora Plum, que há mais de uma década empata a vida de Foster, mas que a mesma ainda tem esperança de filmar, até 2013 (segundo o IMDb).

É não só uma tentativa para ela de retornar aos dramas “de respeito”, como também para Mel Gibson, que desde 2004 só havia participado de um filme – o fraquíssimo O Fim da Escuridão, em 2010. O ator, aliás, é tido como o maior motivo para o fracasso do filme nas bilheterias estadunidenses, por causa da antipatia que criou junto ao público, após o sem número de escândalos com os quais se envolveu nos últimos anos.

Confesso que eu mesmo quase não fui assistir ao filme por causa dele, mas é preciso dar o braço a torcer para a sua atuação, uma das melhores de sua carreira. Ele assume com maturidade e verossimilhança o papel de um homem cheio de problemas familiares e profissionais (sim, estou falando do personagem e não do ator), que encontra um novo meio de se comunicar, sem bloqueios e com menos agressividade que antes: um fantoche de um castor.

Assim como em Lars e A Garota Ideal, é difícil não achar ridículo, nos primeiros momentos do filme, um homem que fala através de um castor de pelúcia, mas a diretora trata muito bem a questão e logo vira a história para o lado dramático, numa situação que é mesmo passível de acontecer e que nada tem de engraçado.

Começa então a se desenrolar uma trama densa, que trata não só dos problemas do homem, como também a forma com que isso afeta a vida da família inteira. É também explorada a ganância humana que, até através de um problema psicológico dá um jeito de fazer dinheiro, como os produtos com o mote do pequeno castor que o sujeito lança no mercado, chamando a atenção da mídia toda para ele, como louco e como gênio.

Os coadjuvantes Anton Yelchin (Star Trek) e Jennifer Lawrence (Inverno da Alma) também cumprem bem seus papéis. A ironia é que justamente Foster não está bem, com uma atuação distante, automática. Talvez preocupada com a direção, desta vez ela não passou emoção alguma como atriz.

Mas o maior problema do filme está no roteiro do “novato” Kyle Killen, que antes só havia escrito alguns capítulos de séries televisivas. O drama bem construído e convincente acerca do boneco e da família é totalmente destruído por sequências finais de pura pieguice e soluções fáceis de roteiros hollywoodianos de sessão da tarde. Não foi à toa que o filme fracassou nos EUA. Com um script irregular e a atual antipatia de Gibson junto ao público, fica difícil digerir uma bobagem como esta.

(2/5)
Um Novo Despertar (The Beaver)
Estados Unidos, 2011 – 90 min.
Direção: Jodie Foster. | Roteiro: Kyle Killen.
Elenco: Mel Gibson, Jodie Foster, Anton Yelchin, Jennifer Lawrence, Cherry Jones.