Crítica: Thor

Thor

Thor é baseado nos quadrinhos da Marvel que, por sua vez, são inspirados na mitologia nórdica dos asgardianos, seres imortais confundidos com deuses. O personagem-título (Chris Hemsworth) é o “deus do trovão”, herdeiro do trono de Odin (Anthony Hopkins). Após demonstrar despreparo para ser rei e provocar uma guerra com os Gigantes do Gelo, o heroi possuidor do poderoso martelo Mjolnir é destituído de seus poderes pelo pai e exilado por ele na Terra, até que aprenda a ser humilde.

Mas a história não seria hollywoodiana se não tivesse o irmão traidor e a mocinha, certo? Por isso, temos como outros personagens centrais Loki (Tom Hiddleston) e Jane Foster (Natalie Portman).

Hemsworth emprega toda a força (em dedicação e músculos), arrogância, brutalidade e coragem para seu Thor, mas é vítima de uma necessidade inexplicável da fotografia em captá-lo exarcebadamente através de closes e cenas sem camisa, o que fazem dele apenas um objeto de histeria feminina (às vezes masculina), futura capa de revistinhas de adolescente.

Natalie Portman paga de mocinha apaixonada – apesar de carismática e linda como sempre – num papel que nem merecia tanto destaque quanto teve – assim como os seus companheiros terráqueos, um cientista desconfiável e uma amiga piadista sem a menor graça. Tom Hiddleston tem seus momentos de boa atuação, mas nem precisa de closes fotográficos para se queimar. Ele mesmo exagera nas caras e bocas.

Assim, sobra espaço para Anthony Hopkins esbanjar sobriedade e competência. Mas, apesar da má dosagem dosagem do elenco, é bom que se diga que eles pelo menos têm a vantagem de não transparecerem aquela sensação comum em filmes do gênero, de que o elenco não se leva a sério e está ali para fazer o pé-de-meia. Aqui, eles nunca parecem estar rindo de si mesmos por dentro.

Kenneth Branagh (da versão “Hamlet”, de 1996) dirige o filme tomando cuidado com a mitologia que envolve a história, deixando “Fúria de Titãs” e “Percy Jackson” no chinelo, inclusive no quesito diversão. Os efeitos sonoros são um excepcionais e boa parte dos efeitos visuais são de babar – salvo exceto aqueles que constroem a tal da “ponte de arcoiris” e os interiores exagerados do palácio de Odin. E nem precisava de efeitos 3D, que apesar de bons, não acrescentam nada ao filme.

A quantidade de ouro e um figurino tosco (como quase sempre acontece em filmes com deuses mitológicos) fazem de muitas cenas um grande Cavaleiros do Zodíaco, que só cedem espaço quando surge a Sociedade do Martelo, de integrantes apagadíssimos – dentre eles as versões mitológicas de Xena e Jackie Chan, segundo zomba o próprio roteiro.

Apesar de seus defeitos, Thor é um bom passatempo, recheado de ação e aparições anunciativas dos próximos projetos da Marvel – algo que os fãs de quadrinhos irão adorar – e abre caminho para boas sequências, além da participação do personagem em “Os Vingadores”, como evidencia a cena pós-créditos.

(3/5)
Thor (Thor)
Estados Unidos, 2011 – 114 min.
Direção: Kenneth Branagh. Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz e Don Payne.
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård

  • sonara

    meu muito bom mesmo vale apena ver

  • ricardo

    Filme feito pra mulher carente e adolescente hiperativo.