Crítica: Caminho da Liberdade

Peter Weir escolhe a dedo seus projetos, mesmo que essa atitude resulte em intervalos longos entre um trabalho e outro – seu último filme foi “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo”, em 2003. O cuidado que o cineasta dispensa à suas produções, no entanto, costuma gerar obras marcantes e, consequentemente, indicações à premiação para melhor direção no Oscar, caso de “A Testemunha” (1985), “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989) e “O Show de Truman” (1998), além da dezena de indicações pela aventura do capitão de um navio de guerra (interpretado por Russel Crowe), em batalha contra o exército napoleônico e a fúria do mar.
O diretor volta a colocar o homem enfrentando a natureza no filme Caminho da Liberdade, sobre um grupo de fugitivos de uma das gulags – as prisões com trabalhos forçados da antiga União Soviética. Para recuperar a liberdade e fugir das péssimas condições em que estão submetidos, sete prisioneiros caminharam por cerca de quatro mil quilômetros, indo da Sibéria, cruzando a Mongólia e a China até a Índia. Durante o longo e sacrificante percurso, foi preciso lutar contra a fome, a sede, o cansaço, e os dois extremos climáticos: as tempestades de neve e o calor dos desertos. A história é inspirada no livro “The Long Walk: The True Story of a Trek to Freedon”, do polonês Slavomir Rawicz.
The Way Back não se trata, no entanto, de uma aventura – pelo contrário. Peter Weir criou um filme de contemplação, no qual os destaques vão para as paisagens: não à toa, o longa-metragem é uma produção da National Geografic. Mas isso não significa que os personagens fiquem em segundo plano, principalmente porque o elenco é de primeira: Jim Sturgees (“Across The Universe”), Ed Harris (“Pollock”), Colin Farrell (“Por Um Fio”), Mark Strong (“Kick-Ass”) e Saoirse Ronan (a garotinha de “Um Olhar do Paraíso”).
Weir gasta alguns minutos iniciais do filme para deixar claro que a decisão de cruzar o continente asiático foi menos uma atitude heroica e mais uma questão de sobrevivência, mesmo. Na prisão stalinista, as condições eram desumanas, equivalentes aos campos de concentração nazistas. Presos políticos e criminosos violentos dividiam o mesmo espaço, passando fome e frio. Um dos prisioneiros, liderados pelo personagem de Sturgees, reúne um grupo e escapa em meio a uma nevasca. Daí para frente, Weir permite que, pouco a pouco, cada ator explore de forma intensa seus personagens, que serão colocados em situações extremas. Ao mesmo tempo, o diretor usa as belíssimas imagens das gigantescas paisagens para estabelecer o lugar do homem no mundo.
A produção poderia ser uns minutinhos mais curta já que o longo trajeto perde um pouco de sua força no terceiro ato e, em parte, isso é culpa de Colin Farrell, que rouba a cena desde a primeira vez em que aparece. Seu personagem, o assassino russo Valka, é extremamente interessante e complexo: se, aparentemente, ele se mostra frio e individualista, vamos acompanhando sua transformação pessoal ao longo da viagem, e o ator irlandês entrega com força sua interpretação (aliás, Farrell sempre vai bem quando retrata sujeitos atormentados). Quando seu personagem sai de cena, no meio do caminho, o trajeto parece ficar um pouco mais cansativo tanto do lado de lá quando do de cá.
The Way Back (Caminho da Liberdade)
Estados Unidos, 2010 – 133 min.
Direção: Peter Weir. Roteiro: Keith R. Clarke e Peter Weir.
Elenco: Ed Harris, Colin Farrell, Jim Sturgess, Mark Strong, Saoirse Ronan.

Achei o filme bastante interessante, fiquei grudado na tela ate o final. O que mais me tocou foi o fato de ser (pelo menos parece ser) uma historia veridica (o q e dificil de acreditar). O filme tem imagens belissimas e mostra talvez o maior de todos os conflitos, o homem vs a natureza. Quase nao houve conflitos pessoais, o que mostra que as pessoas se unem qdo uma ameaca maior as aflige (a morte), desde o frio absoluto ao deserto escaldante. Devo admitir que gosto das obras de Weir, ele realmente sabe contar uma historia e tb sabe escolher os atores. Concordo com o critico, qdo diz que a saida de Colin Farrel no meio da historia empobreceu o filme pque tinha muito a oferecer, estava ate achando que ele iria se humanizar de forma espetacular,….,realmente uma pena! Outra coisa q me incomodou um pouco foi como o protagonista e bonzinho demais, atitudes bonitas, mas previsivel demais, confesso que fiquei um pouco irritado com isso…esperava ele diferente (ou pelo menos um pouco diferente) apos ser tao castigado pela natureza.
Excelente filme, como a muito não via. Excelente também a crítica acima.
Um filme emocionante e que prende a atenção mesmo sendo um pouco longo
demais. A ser visto e revisto.
Gostei do filme, muito boas as atuações de Colin Farrell e Saoirse Ronan, muito comovente suas participações.