Crítica: Jogo de Poder


Jogo de Poder

Filmes de teor político tem público restrito e quase sempre desapontam nas bilheterias estadunidenses. Sejam em produções sérias como Leões e Cordeiros (de Robert Redford com Tom Cruise), Syriana (de Stephen Gaghan com George Clooney) ou No Vale das Sombras (de Paul Haggis com Tommy Lee Jones) quanto em filmes pipoca comoRede de Mentiras (de Ridley Scott com Leonardo DiCaprio) e Zona Verde (de Paul Greengrass com Matt Damon), não importa que celebridade estampe seu poster, o tema simplesmente não agrada ao público norte-americano, que prefere escapismo a denuncismo.

Felizmente ainda existem realizadores com “big balls” que não ligam para este “detalhe” e dispostos a bancar produções importantes como este Jogo de Poder. Baseado nos livros Fair Game: My Life as a Spy, My Betrayal by the White House e The Politics of Truth, o longa conta a trajetória de Valerie Plame, a ex-agente da CIA que teve sua vida arruinada após sua identidade ser revelada pela mídia norte-americana.

A trama inicia em 2001, pouco após os atentados de 11 de setembro, no momento em que o governo Bush decide partir para o contra-ataque. Valerie (Naomi Watts), que trabalhava na equipe encarregada de investigar o Iraque para o Departamento de Planejamento de Defesa Nuclear da CIA, prova que o país não dispõe de armas de destruição em massa. O caldo entorna mais quando seu marido, o embaixador Joe Wilson (Sean Penn), após uma descoberta no Níger, publica um artigo no New York Times afirmando que Saddam não comprou armamento biológico ou nuclear de outro país.

Decididos a invadir o Iraque e em represália ao artigo escrito pelo diplomata, a Casa Branca dá inicio a uma campanha de difamação contra Valerie, deixando vazar para a imprensa sua identidade secreta. A notícia destrói irremediavelmente sua carreira e desestrutura a vida familiar quando ela e Wilson entram em conflito sobre qual atitude tomar à respeito. Será que vale à pena lutar por aquilo que acreditamos quando os adversários são “os homens mais poderosos do planeta”?

Apesar de se focar bastante na investigação, o filme também dá espaço para os dramas pessoais dos protagonistas. Ao retratar o lado mais sensível e vulnerável de Valerie Plame, o diretor Doug Liman (Identidade Bourne) evita a simples exposição documental dos fatos, não só seduzindo o espectador como também desconstruindo o estereotipo do “espião hollywoodiano”, sempre irônico e imbatível.

Infelizmente, Fair Game não fugiu a regra e foi um retumbante fracasso de bilheteria nos EUA, não faturando sequer a metade do seu custo de produção. Mas trata-se de um bom thriller político que agrada principalmente a quem está familiarizado com as questões políticas norte-americanas do início da década passada. Se este não for o seu caso, assista antes “Fahrenheit 9/11” de Michael Moore para facilitar a degustação.

(3.5/5)
Jogo de Poder (Fair Game)
Estados Unidos, 2010 – 108 min.
Direção: Doug Liman. | Roteiro: Jez Butterworth e John-Henry Butterworth.
Elenco: Naomi Watts, Sean Penn, Michael Kelly, Noah Emmerich, David Andrews, Sam Sheppard.

  • Um bom filme com atuações seguras dos sempre competentes Naomi Watts e Sean Penn que com "Jogo de Poder" completam sua terceira parceria em cena. Mas, infelizmente o longa não conseguiu o destaque esperado no circuito estadunidenses… uma pena!
    Bela resenha… parabéns!

    Um grande abraço…