Crítica: Machete

Machete

Em 2007, os cineastas Robert Rodriguez e Quentin Tarantino juntaram forças para produzir Grindhouse, uma homenagem às antigas salas de cinema que exibiam filmes B de terror nas décadas de 1960/70, gênero do qual os dois caras são fãs confessos. Para isso, cada um se comprometeu a escrever e dirigir um longa: “Planeta Terror” e “À Prova de Morte”. E assim como na programação das grindhouses, o filme também incluía previews de supostas outras atrações, que separavam as duas obras principais. Machete era um destes trailers falsos, uma brincadeira inspirada nas produções violentas de Charles Bronson, que agora vira entretenimento de verdade.

Danny Trejo (amigo e colaborador de Rodriguez desde sempre) é o personagem que dá nome ao filme, um ex-agente federal mexicano que teve sua família assassinada por um traficante de drogas (Steven Seagal, surpreendente), conseguiu escapar e agora vive como imigrante ilegal nos EUA. Transformado em bode expiatório numa falsa tentativa de assassinato de um senador corrupto (Robert De Niro), Machete passa a buscar vingança contra todos que o traíram. Durante sua sangrenta jornada, se vê envolvido na guerra entre imigrantes ilegais e autoridades corruptas.

As sequências de ação divertem com situações extremamente absurdas, bem características do cinemão B. Basta Machete entrar em cena para as mulheres se jogarem em seus braços e o sangue jorrar em profusão. Machete corta, mutila e decapita, sem dó nem piedade. Só para citar um exemplo, a cena em que o personagem foge pela janela de um hospital pendurado pelas tripas de um desafeto já é antológica.

O elenco feminino repleto de beldades é um espetáculo à parte. Jessica Alba faz uma policial do serviço de imigração que apesar de ingênua é bem intencionada; Michelle Rodriguez faz uma vendedora de tacos que secretamente é a líder da resistência latina; e Lindsay Lohan, bem, faz Lindsay Lohan: uma patricinha viciada em drogas que passa metade do filme nua.

Apesar de todo o seu pastiche, Machete não deixa de ser uma crítica feroz a opressão a imigrantes latinos na região fronteiriça entre Estados Unidos e México maquiada de diversão descompromissada. O roteiro simplório e óbvio é povoado por tipos caricatos e repleto de cenas estapafúrdias e erotismo barato. Não faltam nem mesmo as frases de efeitos fajutas disparadas pelo protagonista: “Machete don’t text” (Machete não manda SMS), “Machete improvises” (Machete improvisa).

Assim como o recente “Os Mercenários” de Stallone, Machete segue a linha de filmes de ação “exclusivos” para machos, só que temperado ao molho chili bem picante. Entre no clima “mexploitation” e não se envergonhe em torcer por este sujeito horrendo com cara de jaca, repleto de tatuagens, a versão bombada do ‘Seu’ Madruga!

(3.5/5)
Machete (Idem)
EUA 2010 – 105 min.
Direção: Ethan Maniquis e Robert Rodriguez. Roteiro: Álvaro Rodríguez e Robert Rodriguez.
Elenco: Danny Trejo, Jessica Alba, Jeff Fahey, Cheech Marin, Michelle Rodriguez, Robert De Niro.

  • Rafaelnescau

    Pessoal, bela crítica, quero muito assistir esse filme, mas alguem sabe a data que vai estreiar no cinema por aqui? Tinha uma história que seria em outubro mas ate agora nada.

    Obrigado desde já.

    Abraços

    • Olá. Rafael.

      A Sony "empurrou" novamente o lançamento, agora para 10 de dezembro!

  • Ele foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP, e todas as sessões rapidamente lotaram.

    This is a FUCKING AWESOME movie. Junto com Kick-Ass e Scott Pilgrim, formam meu trio de filmes mais divertidos de 2010.

  • Melk

    ha ha ha

    "cara de jaca", " versãbombada do‘Seu’ Madruga"

    shuashuahsuahsuahsuashuashusahsua

  • Eduardo

    Há tempo que quero muito assistir Machete. Dia ou 20 ou 21 vou assistí-lo! Aí volto e comento o que achei.

  • Linda critica, parabens pro mano que escreveu, ve la no meu blog as que escrevi, abraço