Crítica: Centurião

Centuriao

O diretor britânico Neil Marshall provavelmente é um dos cineastas mais representativos e influentes do seu país. E influenciado também. Não é dificil identificar em seus filmes, referências as obras cinematográficas que ele mais cultua. Neste Centurião, Marshall criou um espécie de mash up dos épicos medievais, ora lembrando o cult sanguinário Conquista Sangrenta, de Paul Verhoeven, ora a estilização modernosa de 300, adaptação da HQ de Frank Miller dirigida por Zack Snyder.

A trama se passa em 117 A.C. durante o império de Adriano, quando Roma conseguiu inúmeros domínios que se estenderam do Oriente Médio, Norte da África, toda a Europa até Inglaterra e países vizinhos. No entanto, ao avançar pela região das Ilhas Britânicas (onde é a atual Escócia), as tropas encontram uma certa resistência (não, não é Asterix e os irredutíveis gauleses) dos pictos, feroz povo tribal conhecido como “Bárbaros do Norte”.

Ao adentrar nos domínios bárbaros, a lendária Nona Legião é surpreendida e praticamente exterminada. Apenas sete soldados sobrevivem e sob o comando do centurião Quintus Dias (Michael Fassbender, de Bastardos Inglórios), precisam resgatar o seu general capturado, escapar da brutal perseguição dos pictos e atravessar densas florestas até alcançar a fronteira.

A história sobre bravos soldados que sobrevivem ao massacre do seu pelotão e são obsessivamente perseguidos por inimigos sedentos de sangue não é exatamente original, mas nas mãos do diretor Marshall, esse enredo manjado e sem novidades (também escrito por ele), rende um bom caldo. O sujeito sabe conduzir muito bem a narrativa, deixando pouco tempo para o espectador respirar.

A fotografia de Sam McCurdy também é outro ponto alto, tornando o filme esteticamente belo e saturado, acentuado por planos e panorâmicas de montanhas geladas, planícies e campos alagadiços, geografia padrão da Escócia. Bem diferente do império romano que estamos acostumados a ver neste tipo de produção, com legiões marchando aos portões de Roma.

Apesar destes trunfos, Centurião não tem o mesmo impacto de um Coração Valente ou de Gladiador, preocupando-se basicamente com a ação. Nesse aspecto, o filme cumpre o que promete, com sequências de batalha extremamente bem coreografadas, intensas e explícitas: Decapitações, gargantas cortadas e sangue espirrando para todo o lado são uma constante, sempre embaladas por uma montagem frenética – fonte de desorientação para muitos – que certamente agradará os atuais fãs do gênero. Não espante se respingar alguma gota para fora da tela.

(3/5)
Centurião (Centurion)
Reino Unido, 2010 – 97 min.
Direção e Roteiro: Neil Marshall.
Elenco: Michael Fassbender, Dominic West, Olga Kurylenko, Noel Clarke, David Morrisey.

  • Leandro

    Rapaz sinceramente esse filme é uma porcaria. Tanto pelos conceitos historicos errados quanto pelos personagens caricatos (uma barbara-ninja linda e maquiada?!?!?). Alem disso creio que voce quis dizer 117 D.C. e não A.C. ne? A unida coisa que salva realmente são as fotografias e o figurino, o resto pode jogar fora…