Crítica: O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus é a última contribuição de Heath Ledger para o cinema. O jovem ator, que recebeu o Oscar póstumo por sua atuação como o Coringa em Batman – O Cavaleiro das Trevas, faleceu em janeiro de 2008, no meio das filmagens desta fantasia delirante dirigida por Terry Gilliam (ex-Monty Python). Por conta da tragédia, muitos acreditavam que o longa seria cancelado. Não contavam com a astúcia de Gilliam. O excêntrico diretor e o roterista Charles McKeown encontraram uma maneira criativa de realizar as cenas que faltavam, colocando os atores Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell para substituir Ledger de forma plausível e condizente com a história do filme.

Dr. Parnassus (Christopher Plummer) é o líder de uma companhia de teatro itinerante que percorre as ruas sujas e úmidas de Londres oferecendo aos espectadores mais do que simples entretenimento: promete uma viagem aos seus sonhos. Basta pagar a entrada e atravessar um espelho mágico, aparentemente comum. Ao fazer isso, o visitante, assim como a Alice de Lewis Carrol, ultrapassa a fronteira entre a realidade e a imaginação, tendo a chance única de adentrar um mundo fantástico e desconhecido.

Mas Parnassus esconde um terrível segredo: há mil anos ganhou uma aposta com Mr. Nick (Tom Waitts), o diabo encarnado em pessoa, que lhe valeu a imortalidade.  Quando conhece o amor da sua vida, troca a imortalidade por juventude oferecendo como garantia a alma de sua filha Valentina (Lily Cole) ao completar 16 anos. Agora, com a proximidade da data, tenta driblar o coisa ruim a todo custo.

Enquanto isso, a moçoila está se encantando pelo misterioso Tony (Ledger), um jovem sedutor e cafajeste que entrou para a trupe depois de ser encontrado agonizante, embaixo de uma ponte. Tony, aparentemente, tenta ajudar Parnassus a não perder a filha, mas o sujeito tem os seus próprios fantasmas e, na verdade, está fugindo de seu insólito destino.

Tudo funciona magistralmente em O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, desde a parte técnica – direção de arte, fotografia, figurino e efeitos visuais e sonoros são impecáveis – ao roteiro criativo (reescrito por Gilliam e McKeown), mas, o modo como os atores substitutos dão continuidade ao personagem do astro morto é o grande charme da película. Depp, Ferrell e Law surgem dentro do tal mundo imaginário respeitando a construção de Ledger e acrescentando ainda mais carisma e talento ao manipulador Tony.

Apesar de ser um filme visualmente arrebatador, The Imaginarium of Doctor Parnassus não tem a complexidade e intensidade de obras maiores do diretor como Doze Macacos e O Pescador de Ilusões nem a corrosiva crítica social de Brazil. Mas é um filme simpático, encantadoramente estranho, e que diverte. Acima de tudo, é edificante ver um grupo de atores consagrados empenhados em terminar de contar uma boa história e homenagear um amigo querido e brilhante ator.

(4/5)
O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (The Imaginarium of Doctor Parnassus)
Reino Unido / Canadá / França, 2009 – 123 min.
Direção: Terry Gilliam. | Roteiro: Terry Gilliam e Charles McKeown.
Elenco: Christopher Plummer, Heath Leadger, Tom Waitts, Lily Cole, Johnny Depp, Colin Farrell.

  • Eduardo

    Ainda não assisti a esse filme. Fiquei bastante curioso, viu.

  • Anderson Roberto

    Copia barata e americanizada de 7 faces do Dr. Lao

  • iLeandro

    EU curti bastante. Parece que o filme foi baseado em chá de cogumelo. rs