Crítica: A Estrada

Escrito por Digerati. Arquivado em Críticas

 

“O Livro é melhor”. Esta taxativa constatação não combina com A Estrada. O diretor John Hillcoat (The Proposition) fez uma adaptação impecável do premiado best-seller homônimo escrito por Cormac MacCarthy, consagrado novelista norte-americano também autor de Onde os Fracos Não Têm Vez, que os Irmãos Coen adaptaram para o cinema em 2008.

A trama conta a história de um pai e seu filho pré-adolescente que atravessam o país tentando sobreviver num mundo completamente destruído e coberto de cinzas. O motivo da catástrofe nunca é explicado. Sabemos apenas que o mundo, como o conhecemos, acabou. O cenário por onde os dois vagueiam é uma América gélida repleta de florestas queimadas, onde a busca por alimento transformou as poucas pessoas que ainda habitam o planeta em andarilhos maltrapilhos ou assassinos canibais.

Presentes em quase 100% das cenas, os atores Viggo Mortessen e Kodi Smit-McPhee dão um show de interpretação como pai e filho. A fotografia cinza de Javier Aguirresarobe e a direção de arte “suja” de Gershon Ginsburg são outros pontos fortes do longa. O roteirista Joe Penhall também merece crédito. Apesar de ter mais passagens pela TV em seu currículo do que cinema, o sujeito soube manter o equilíbrio do livro entre o drama e o suspense psicológico.

Não vá assistir A Estrada esperando encontrar algo na linha de Mad Max. Pode tirar o seu cavalinho da chuva ácida. As duas únicas coisas em comum entre a obra de Hillcoat e o longa de George Miller são a premissa pós-apocalíptica e as estradas. Este aqui é um anti-2012, pouco aventureiro ou heróico. Apesar disso, não é um filme para se desprezar.

Os tantos acertos nao foram suficientes para evitar que o drama de ficção se tornasse um fiasco nas bilheterias norte-americanas. Mas nem sempre em Hollywood números significam qualidade – que o diga o ganhador do Oscar deste ano, Guerra Ao Terror. Talvez o tom pessimista e por deveras literário de A Estrada, justifique seu “fracasso”. Não é uma obra para o grande público. Mas quem tiver olhos mais sensíveis, vai se deparar com uma história de amor poderosa, entre pai e filho, capaz de lidar até mesmo com o fim do mundo.

A Estrada (The Road)
EUA 2009 – 111 min.
Direção: John Willcoat. Roteiro: Joe Penhall.
Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Robert Duvall, Charlize Theron, Guy Pearce.

Sobre Digerati

Interneteiro, blogueiro e cinéfilo de carteirinha. Espera um dia ser clonado para ter tempo de fazer absolutamente tudo que tem vontade de fazer.

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4 Comentários
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  1. Cara, fiquei muito curioso! Vou procurar esse filme já. Quero assisti-lo o mais rápido possível.

  2. Sem dúvida, o filme mais injustiçado do ano. Não apenas o filme, como a produção e especialmente os atores. Mereciam muito mais reconhecimento.

    Recomendo. Excelente filme.

  3. Esse é o melhor filme que já assisti esse ano. Sou fã de filmes pós-apocalipticos e esse filme me satisfez muito mais do que esperado. Chego até a pensar na criação de um jogo baseado neste filme/livro. Seria fantástico, desde que conservasse o suspense do filme e os cenários absurdamente assustadores. Aquela cena que o personagem de Viggo entra no porão da casa dos canibais e encontra vários humanos praticamente mortos foi absurdamente assustadora! E como disse o Vinícius, como que a academia não indicou Viggo ao Oscar por essa atuação? Essa cara já vem fazendo atuações excelentes em todo o filme que participa, porque a academia não vê isso? Será que vão esperar o cara morrer? De qualquer modo, A Estrada é um filme foda e minha nota pra ele é 9,5.

  4. No meu humilde entendimento, A Estrada foi o melhor filme do ano passado e Viggo também foi o melhor ator do ano, é inacreditável como mesmo ampliando para 10 indicados em melhor filme, a academia ignorou esse filme!

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