Crítica: A Caixa

A Caixa

Quem viu o trailer de A Caixa deve ter ficado no mínimo curioso em relação ao filme. Cuidado, a curiosidade matou o gato. Baseado no episódio “Button, Button” escrito por Richard Matheson para a extinta série de TV “The Twilight Zone” (Além da Imaginação), o longa dirigido por Richard Kelly, criador do cult “Donnie Darko” (de 2001), tinha tudo para dar certo. Infelizmente, Kelly acabou entregando um longa inexpressivo que em alguns momentos expõe seus protagonistas a situações para lá de vergonhosas.

A pergunta lançada no trailer era instigante: O que você faria se lhe entregassem uma caixa com apenas um botão e, se você o apertasse receberia um milhão de dólares, mas, ao mesmo tempo, tirasse a vida de alguém que você não conhece?  Norma Lewis (Cameron Diaz) é uma professora e o seu marido, Arthur (James Marsden), é um engenheiro da NASA. Eles e o filho pequeno formam uma família que está passando por dificuldades financeiras morando num subúrbio americano dos anos 70. As coisas ganham novo rumo quando um misterioso homem (Frank Langella) aparece com uma proposta tentadora. Norma e Arthur têm apenas 24 horas para fazer a escolha.

A história evidencia o desejo de Richard Kelly em traçar um paralelo entre seu roteiro e os danos provocados pelo capitalismo, pelo consumismo desenfreado que ignora a preservação da natureza. O egoísmo e a ambição seriam os caminhos perfeitos para a destruição da Humanidade. A solução, segundo Kelly, estaria em atitudes altruístas. A intenção do diretor pode até ser boa, mas de boas intenções o inferno está cheio: o resultado é um filme ruim, piegas e moralista.

The Box faz uma mistureba de conspirações governamentais, dilemas morais e fenômenos sobrenaturais. Não satisfeito, Kelly ainda faz referências a Jean-Paul Sartre, a rivalidade ciência versus religião e campos biológicos. Ou o sujeito estava passando por uma crise existencial ou abusou das drogas. Esta salada destemperada só serve para provar que o uso excessivo de informações desconhecidas pelo público em geral não combina com entretenimento de massa.

A atmosfera retrô criada na produção é o único ponto positivo, lembrando bastante os thrillers de antigamente, como por exemplo, “O Iluminado” (1980). Este clima teve ter influenciado a todos no set, principalmente a equipe de efeitos visuais que parece ter trabalhado com tecnologia dos anos 70. Uma amostra clara disso é o rosto deformado do personagem de Frank Langella que lembra uma imagem mal recortada no Photoshop.

Ao final, o que mais irrita, é perceber que Kelly tinha nas mãos um ótimo argumento, tanto no desenvolvimento do suspense como outras questões, mas acabou perdido, que nem cego em tiroteio, tentando se explicar demais em alguns pontos. Não perca seu tempo vendo esta baboseira e corra para o Youtube. Lá você encontra o conto original de apenas 20 minutos (aqui e aqui) exibido na TV em 1986, muito melhor.

(1.5/5)
A Caixa (The Box)
Estados Unidos, 2009 – 115 min.
Direção e Roteiro: Richard Kelly.
Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, James Rebhorn, Deborah Rush.

  • Pimenta

    Concordo plenamente. Chato, arrastado, confuso e louco (no mal sentido). Texto bacana.

    o/

  • Danilo

    Concordo plenamente!

    Terminei de assistir o filme e fiquei MUITO confuso!
    Com raiva!

    Péssimo.

    Um filme "sem pé e sem cabeça"

    Parabéns pelo texto

    =B

  • fernando

    o pior filme que já assisti, só.

  • wellinton Brito

    rsrsrsr, tb achei o filme horrivel, assisti pela atriz Cameron Diaz eu particulamente gosto dela, mas q filme confuso.

  • Renata Salge

    uma idéia legal transformada em um dos piores filmes já feitos. a história do botão me despertou grande interesse, mas é a única coisa inteligente e interessante.

  • pedro

    richard kelly mais uma vez fez um filme a sua maneira e os idiotas de sempre criticam porque são incapazes de penetrar as entranhas conteudísticas do pelicula vão a merda acéfalos!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Humberto

    Realmente, horrível!!! Perdi meu tempo

  • Vitor

    O dilema, o botão, a caixa, o cenário, as decisões, o final e o ciclo criados foram perfeitos, mas o filme foi sem por cento retardado quando começa a parte dos efeitos sobrenaturais, empregadores de outro planeta, controle mental, piscina que é um portal…
    Ridículo, com uma ideia dessas qualquer outro diretor poderia fazer um filme perfeito, mas enfim, não foi…

  • Fabio

    Engraçado meu … sou um cara que gosta de analisar o filme em suas partes, como fotografia, efeitos, trilha e tals, e até me arrisco em filmes nonsense de vez em quando. Não sou o tipo de cara que adora finais felizes o tempo todo, mas as vezes, por ser aberto demais pra essas experiências com filmes estranhos e de dificil entendimento, eu acabo me deparando com essas besteiras. Realmente o filme consegue te prender até um certo momento. Mas do meio pra frente o diretor começa a viajar tanto que não consegue mais voltar. O filme passeia facil por gêneros como ficção científica, drama e principalmente o suspense, mas isso só evidencia que o diretor e o roteirista tomaram um chá de lírio antes. Só pode! Ok, eu entendí a idéia do filme tá?! Mas é psicologia barata sem dúvida. Poderia ter aproveitado melhor a idéia original do filme. E outra … temas como purgatório, segundas chances, redenção e até a ligação inexplicavel entre personagens de diferentes lugares já foi melhor utilizada em filmes como "Babel" e até na série "Lost". Engraçada a idéia da caixa também né?!!! Sei que o original do filme é um conto, mas o lance da caixa que provoca uma curiosidade que não é saciada foi perfeitamente bem explorada pelo J.J. Abrams do Lost tbm ( ele falou sobre o assunto da caixa em um programa de TV, procurem no you tube algo como JJ Abrams e o mistéio da caixa ) … estranho isso hein … e só pra acrescentar, a trilha sonora, principalmente no final dramático do filme, parece que foi inteirinha chupada das cenas dramáticas de Lost … mais estranho ainda! Muito suspeito esse filme! Parece mais uma coleção de influências do diretor que só serve para te dar raiva e uma sensação de que poderia ter visto algo melhor. Dica: Não assista em um domingo como eu fiz … senti como se tivesse perdido o final de semana! Mas o filme não é ruim ruim daqueles que da vontade de se matar … de 1 a 10 eu daria 3.5 vai …… é … tá bom 3.5 ! … vou dormir agora, bye!

  • Roger

    Muto bom eu gostei … para quem nunca tinha visto ou lido algo parecido o filme é muito bom … Eu entendi !

  • rullygar do cinema

    Eu assisti o filme no idioma original, fiquei muito decepcionado, uma porcaria , simplesmente é uma mistura de coisas sem sentido .
    Eu fiquei com muita raiva, várias cenas não retratam o comportamento humano , por exemplo no momento em que Frank Langella está na casa da família e ele entrega um revolver para o Arthur matar a esposa ou ficar com o filho doente , e o arthur em vez de matar o velho asqueroso prefere matar a esposa , tornando o seu filho orfão.
    Para mim o filme todo não tem sentido, para começar se o arthur tivesse matado o velho dentro da casa dele ( fato que aconteceria na vida real) , com uma boa explicação : invasão de domicilio e ameaça , não seria um crime e sim legítima defesa.Eu sei que a morte do velho não iria mudar a situação, mas seria uma atitude mais dentro da realidade do que matar a própria esposa.
    Esse filme é um lixo , é o tipo de filme que você assiste e não reconhece no filme atitudes humanas , para mim esse filme retrata seres anormais do começo ao fim , é totalemnte fora da realidade.

  • enio

    Engraçado… se o filme fosse o que se esperava, logo seria tachado de previsível e também seria criticado. Antes de se dar a opinião sobre um filme, deve-se perguntar se você realmente entendeu a “proposta” do conceito.
    O roteiro é um pouco confuso, mas para quem gosta do gênero, vale apena conferir.

  • Barracuda

    Se o filme consegue ser pior que o Lost, então é ruim e confuso mesmo.

  • daniel

    DETONARAM DE TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS SOUTHLAND TALES, O FILME ANTECESSOR DESTE E DE RICHARD KELLY. EU ASSISTI APENAS UMA VEZ E, APESAR DOS EXCESSOS NO VISUAL COLORIDO E NÚMEROS MUSICAIS, COMPREENDI MUITA COISA DAQUELE FILME E GOSTO MUITO, EM SUMA, SOU DA MINORIA QUE ADORA O FILME. A OBRA-PRIMA AINDA É – DONNIE DARKO – INSUPERÁVEL E MEU FILME PREFERIDO. A CAIXA É SIM O PROJETO MAIS ACESSÍVEL DE RICHARD KELLY, MAS, UMA OU DUAS FALHAS NO ROTEIRO NÃO DESMERECE E NEM DENIGRE O FILME. É PARA SER REVISTO E PENSANDO NOVAMENTE. SE ESTE FILME É PÉSSIMO, O QUE SOBRA PARA – MULHOLLAND DRIVE E INLAND EMPIRE – AMBOS DO DAVID LYNCH, EL TOPO E MONTAÑA SAGRADA DE ALEJANDRO JODOROWSKI, SOLARIS DO TARKOWSKI OU O SOBERANO DA BIZARRICE E DO NON-SENSE – POSSESSION DE ANDRZEJ ZULAWSKI – TODOS SÃO LOUCURA EM ESTADO BRUTO (E SÃO MEUS PREFERIDOS)

  • Ana Paula

    Eu gostei, entendi tudo, e foi esse entendimento que despertou minha aprovação.