Crítica: O Mensageiro

O Mensageiro

Vencedor do Urso de Prata de Melhor Roteiro e Prêmio da Paz em Berlim, O Mensageiro concorre ao Oscar nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Coadjuvante. Assim como seu insensado colega “Guerra ao Terror” (que concorre a nove estatuetas), a obra do diretor e roteirista israelense Oren Moverman foge a cartilha patriótica dos filmes de guerra norte-americanos, mostrando uma nação em frangalhos, com militares cada vez mais perturbados.

A trama acompanha o jovem sargento Will Montgomery (Ben Foster, espetacular) que depois de ferir-se em combate, é mandado de volta para os EUA. Ele ainda tem ainda três meses de serviço e é remanejado para a “Divisão de Notificação de Falecimento de Militares no Front a Familiares”, tarefa tão árdua e estressante quanto encarar os sangrentos conflitos no Iraque.

Para enfrentar este trabalho doloroso, Will conta com um parceiro mais velho e mais experiente, o capitão Tony Stone (Woody Harrelson, expert em tipos problemáticos), um sujeito rígido em sua postura militar, endurecido pelo longo período desempenhando a função. Com pensamentos diferentes em relação a como lidar com os familiares dos mortos, eles aprenderão muita coisa um com o outro.

As cenas onde a dupla informa as famílias dos falecimentos são pesadíssimas. Em poucos minutos, eles entram de sopetão em vidas que desconhecem, trazendo uma notícia deprimente e saem em seguida da mesma maneira que entraram, subitamente. A reação dos notificados não interessa, Will e Tony não podem se ligar aos mundos dos quais se aproximam. De câmera na mão em tais cenas, Moverman dá tons ainda mais dramáticos a sua fita, contrastando a dor com a aparente imparcialidade dos militares.

É nessa grande bolha de nervos à flor da pele marcada pela guerra, que são inseridos os personagens – e nós,  espectadores – do filme. A tensão só é quebrada quando os dois companheiros ficam mais amigos, protagonizando alguns minutos de descontração (o trecho em que Stone e Montgomery ficam bêbados é hilário), o que dá um refresco à sequência de cenas angustiantes.

O Mensageiro é um ótimo olhar sobre como a guerra dói mais quando está dentro de quem a presenciou. Um longa simples em sua execução, mas denso nos seus propósitos. Mérito para Oren Moverman que, além de saber o que e como enquadrar com sua versátil câmera, soube extrair do seu elenco principal performances extremamente realistas.

(3.5/5)
O Mensageiro (The Messenger)
Estados Unidos, 2009 – 112 min.
Direção: Oren Moverman. | Roteiro: Alessandro Camon e Oren Moverman.
Elenco: Ben Foster, Woody Harrelson, Samantha Morton, Jena Malone, Steve Buscemi.