Crítica: Invictus

Invictus

Invictus é o nome de um belíssimo poema do inglês William Ernest Henley, escrito em 1985 e constantemente recitado por Nelson Mandela enquanto preso em Robben Island (prisão sul-africana) para manter a sanidade e a esperança.

A história, é uma adaptação do elogiado livro “Conquistando o Inimigo” (The Human Factor: Nelson Mandela and The Game That Changed The World), escrito pelo jornalista britânico John Carlin. O fato verídico, ocorrido 15 anos atrás, se parece tanto com a trama de um filme edificante que o diretor Clint Eastwood só teve o trabalho de encená-lo. Residem aí, porém, tanto os méritos quanto os defeitos do longa.

Em 1995, o recente eleito presidente, Nelson Mandela (Morgan Freeman) tinha consciência que a África do Sul continuava sendo um país racista e economicamente dividido. Livre do apartheid há apenas cinco anos, a população africana dava sinais de um revanchismo contra a minoria branca. Para diminuir essa diferença e provar aos brancos que não haveria retaliação, Mandela viu uma grande oportunidade no rugby, esporte praticado no país.

Com a proximidade da Copa do Mundo que seria disputada por lá, o presidente procurou se aproximar do jovem capitão da seleção, Francois Pienaar (Matt Damon). O objetivo era encorajar os jogadores de rubgy e fazer com que o Springbroks tivesse chances reais de ganhar o torneio. Até hoje um abismo social e linguístico ainda separa brancos e negros, mas essa brilhante manobra política encontrada por Mandela na ocasião, permitiu que a África do Sul se unisse – mesmo que momentaneamente – e prosperasse.

O filme tenta ser pungente e tocante, mas os seus personagens carecem de “alma”. Ator indicado pelo próprio Mandela para vivê-lo no cinema, Morgan Freeman reproduz os trejeitos do presidente sul-africano com muita perfeição. A boa atuação, no entanto, sai prejudicada pelo roteiro morno adaptado por Anthony Peckham. O longa tem algumas sequências vibrantes mas no geral não decola, sempre se escorando na trilha sonora e frases de efeito disparadas de 10 em 10 minutos para acentuar o drama.

Apesar de não ter a força de Gran Torino nem a carga emocional de Menina de Ouro, Clint é Clint, e mesmo que desta vez não tenha conseguindo sair do drama convencional, o seu Invictus merece ser visto e apreciado ao menos como espetáculo cinematográfico que é.

(3/5)
Invictus (Invictus)
Estados Unidos, 2009 – 133 min.
Direção: Clint Eastwood. | Roteiro: Anthony Peckham.
Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng, Julian Lewis Jones.