Crítica: Educação

Educação

Nesta sua adaptação para o cinema do livro de memórias da jornalista Lynn Barber, Nicky Hornby, o John Hughes britânico, autor de pérolas como “Alta Fidelidade” e “Um Grande Garoto”, preferiu não se arriscar. Educação (exibido na 3ª Mostra Internacional de Cinema em SP com o título de Sedução), apesar do apuro técnico impecável e seu elenco irreprensível, é um filme morno, sem grandes expectativas.

A trama se passa em 1961 e acompanha a adolescente Jenny (Carey Mulligan), estudante CDF que almeja entrar para a Universidade de oxford e toca violoncelo com grande paixão. Em uma dia de chuva, a jovem pega carona com o bon vivant David (Peter Sarsgaard), e a atração é imeadiata. Mesmo sendo bem mais velho, David tem o consentimento dos pais dela, para namorar a donzela.

A relação com um homem mais velho faz com que Jenny questione o que é melhor para sua vida adulta: a educação acadêmica ou as experiências reais. Não é para menos: o namoro dos dois é um verdadeiro conto-de-fadas com direito a jantares de gala e viagens à Paris. De que valem os árduos estudos se tudo fica mais fácil quando se arruma um marido rico?

A medida que o relacionamento avança (e a intimidade com David também), a garota vai percebendo que seu pretendente não passa de um picareta refinado, que vive de roubos e falcatruas. Só então ela percebe o quão sua vida tornou-se um frágil castelo de cartas, cujo desabamento é iminente.

Carrey Mulligan tem um quê de Audrey Hepburn, e no papel de Jenny, é um verdadeiro achado. Peter Sarsgaard e Alfred Molina como o playboy e o pai opressor respectivamente, também não ficam atrás. E é este trio central que consegue sustentar o drama até o final. As inglesas Olivia Williams (uma professora) e Emma Thompson (a diretora da escola) aparecem em papéis menores que mereciam mais destaque.

Educação é o tipo de filme que o Oscar adora premiar: certinho, moralista, previsível. E bem feminino, diga-se de passagem, principalmente graças à mão da diretora dinamarquesa Lone Scherfig (“Meu Irmão Quer Se Matar”). Mas nem por isso, mais original. É uma revisão de histórias inúmeras vezes contadas nas telas. Se eu fosse você, esperava passar na Sessão da Tarde.

(3/5)
Educação (An Education)
Reino Unido, 2009 – 95 min.
Direção Lone Scherfig. | Roteiro: Nick Hornby.
Elenco: Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Alfred Molina, Olivia Williams, Emma Thompson.

  • Concordo plenamente contigo, Getro.
    É um filme morno, blasé demais e sua única grande vantagem é o elenco.
    Não tinha reparado na semelhança da Carey com Audrey, mas não é que parece?!
    Principalmente quando está com o figurino q tem uma alça vermelha mais grossa q a alça fina branca…

    Abç

    • Oi, Fred. Parece tanto que na ficha da garota no IMDB consta rumores de uma refilmagem de "Bonequinha de Luxo". Será?

  • Bonito filme, atriz principal competente, glamurosa e carismática, namorado mais velho e pai e mãe bem vivenciados pelos atores. Visão de época interessante da diretora sobre o que seria a mulher dos anos 60: estudiosa e à procura de alguma carreira ou pronta ao casamento largando da educação formal. Final diferente e instigante, nos deixa pensando sobre valores de novos e velhos e – sobretudo – sobre arraigadas práticas de estudo formal não agradáveis ou o mundo como é, cheio de aventuras e novos rumos, porém desvencilhado desta formalidade. A ser visto e revisto.