Crítica: Aconteceu em Woodstock

Aconteceu em Woodstock

Há 40 anos, Woodstock uniu pessoas, ideais, credos, crenças e cores, no mais importante festival de música que já aconteceu neste planeta. Em Aconteceu em Woodstock, o diretor Ang Lee (“Brokeback Montain”) colocou de lado todo este contexto utópico de liberdade e fraternidade para contar a história pessoal de Elliot Tiber, sujeito responsável por levar o evento para a pequena cidade de White Lake, no interior do Estado de Nova York.

Baseado no livro de memórias Taking Woodstock: A True Story of a Riot, A Concert, and A Life – escrito pelo próprio Elliot – o longa narra os percalços deste jovem gay enrustido, filho de imigrantes russos que consegue o improvável quando o hotel decadente, única fonte de renda da família, esta prestes a ser tomado pelo banco. Ao descobrir que promotores de um festival de música programado para uma cidade vizinha tiveram a licença cancelada por pressao da populaçao, Tiber (que no filme ainda é Teichenberg) convence um vizinho a alugar seu terreno na esperança de levantar uma grana hospedando a produçao do show e assim tirar o hotel do vermelho.

Não vá assistir ao filme esperando encontrar versões hollywoodianas de Janis Joplin ou Jimmy Hendrix desfilando na tela. O que se passa nos dias que antecedem o festival, e como ele acontece e revoluciona a vida do rapaz, é o que a obra mostra, com muito humor mas num tom completamente intimista. Por meio de Elliot, podemos nos identificar e nos colocar numa posição que, dado o gigantismo e a mítica de Woodstock, quatro décadas depois tende a perder sua real dimensão.

O elenco, afiadíssimo, é um espetáculo a parte. Demetri Martin, que faz Elliot, está perfeito, assim como Henry Goodman e Imelda Staunton – os pais austeros do protagonista -, principalmente Imelda, no papel da mãe judia que segura o filho perto de si com obrigações morais e muito mau humor.

Ao redor dessa relação desfilam vários coadjuvantes igualmente interessantes: Emile Hirsch faz um amigo de infância que acabou de voltar da Guerra do Vietnã, psicologicamente abalado. A trupe de atores que mora no celeiro do hotel comandada pelo comediante Dan Fogler garante vários momentos cômicos. Mas o melhor deles é mesmo Liv Schreiber como o travesti Vilma, que surge da multidão para ajudar os Teichenberg, seja como segurança ou psicólogo de botequim.

Um dos grandes defeitos de Aconteceu em Woodstock é sua trilha sonora. Ou melhor, a falta dela. Ouvimos ali ao fundo Janis Joplin, o final é apoteótico, mas parece que as imagens coloridas mereciam mais. Esta sensação se amplia principalmente quando Lee resolve recriar cenas do documentário “Woodstock – Onde Tudo Começou” realizado na época por Michael Wadleigh. O diretor ficou tão preocupado em tornar o longa palatável que se esqueceu de viajar em sua música. Mesmo como personagens tão interessantes, a ausência de clássicos do The Who, Hendrix, Jefferson Airplane, Santana e Joa Baez fazem muita falta.

(3.5/5)
Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock)
Estados Unidos, 2009 – 110 min.
Direção: Ang Lee. | Roteiro: James Schamus.
Elenco: Demetri Martin, Imelda Stauton, Henry Goodman, Emilie Hirsch, Jeffrey Dean Morgan.

  • heneile

    …Caso queiram se aprofundar nesta delícia do Woodstock, tem um documentario com os relatos dos organizadores e os donos do espaço, algumas cenas do que realmente os " hipies faziam pra se divertir" aliados ao show das bandas….Muuuuito divertido, muito interessante e eu recomendo …O Diário de Woodstock…..

  • patricia

    Aaaaaa que 7.5 o que, esse filme é mto loco!!!!!! tirando as partes chatas do começo e tal… dos problemas… nota 10!!!!! Só faltou mais espiritualidade, mais psicodeliaa….
    CADE A TRILHA SONORA, GENTE?
    BJS!

    • Realmente Patricia, tirando todos os "detalhes" que vc citou, a nota aumenta para 10, fácil. O problema é consertar o filme, né? Bjs.