Crítica: Vigaristas


Vigaristas

“Adrien Brody e Mark Ruffalo estão fenomenais”, “Este é um excelente filme”. Trailers entupidos de menções da chamada “crítica especializada” parecem tentativas desesperadas para chamar à atenção do público. Já dizia o ditado: Quando a esmola é grande, o santo desconfia.

Os irmãos Bloom do título original são Stephen (Mark Ruffallo de Ensaio Sobre a Cegueira) e Bloom (Adrien Brody de O Pianista). Órfãos, desde crianças eles vivem sendo expulsos das famílias que tentam adotá-los por estarem sempre aplicando golpes nos amiguinhos da vizinhança. Os pequenos malandros aventureiros acabam tornando-se trapaceiros profissionais na vida adulta. Stephen é o mestre maligno que cria as ideias e elabora os planos. O sensível Bloom é o elemento-chave responsável por fazê-los funcionar.

Cansado de ser um eterno personagem, Bloom refugia-se em Montenegro, longe do irmão. Melancolicamente, ele precisa ir em busca do próprio destino. É óbvio que Stephen vai encontrá-lo e convencê-lo a aplicar o “último golpe”. O alvo é a solitária, excêntrica e milionária Penelope (Rachel Weisz, de A Múmia). Com Bloom como isca, a entediada mulher é atraída à vida empolgante da dupla. A partir daí, Vigaristas desenvolve um intrincado jogo ilusório ao redor do mundo, onde nada é o que parece.

Passados 40 minutos de filme, o que parecia ser promissor, torna-se entediante. O script cheio de nuances e diálogos irônicos acaba desperdiçado por arcos temáticos mal realizados que quebram a cadência do filme. Para piorar, as cenas de ação não convencem. Culpa do roteirista e diretor Rian Johnson (A Ponta de Um Crime) que deve ser fã incondicional de Jean Paul Sartre e tempera seu longa com um existencialismo chato onde o golpe torna-se o menos importante que o drama moral vivido pelo personagem de Brody.

O sub-gênero cinematográfico “golpes e trapaças”, já rendeu bons frutos como Onze Homens e Um Segredo e Golpe de Mestre mas aqui não convence. Descaradamente inspirado em obras como Tom Sawyer e Huck Finn, The Brothers Bloom é uma comédia pouco inspirada que, mesmo com um elenco afiado e uma fotografia belíssima (Sérvia, Romênia, Montenegro e República Checa), promete mais do que cumpre e deixa um gosto amargo de deja vu na boca.

(2.5/5)
Vigaristas (The Brothers Bloom)
Estados Unidos, 2008 – 113 min.
Direção: Rian Johnson.
Elenco: Mark Ruffallo, Adrien Brody, Rachel Weisz, Rinko Kikuchi, Robbie Coltrane.