Crítica: Distrito 9


Distrito 9

Depois de assistir ao curta-metragem de apenas seis minutos, “Alive In Joburg”, dirigido pelo sul-africano Neill Blomkamp em 2005, Peter Jackson resolveu apadrinhar o sujeito. Bendito seja o olho clínico do Sr. Jackson: Distrito 9 – uma versão extended da obra de 2005 – é uma das mais incríveis ficções científicas já realizadas nos últimos anos.

O título foi inspirado no Distrito 6, uma área residencial na Cidade do Cabo (África do Sul) que ficou conhecida por causa dos 60 mil moradores que foram expulsos de lá na década de 1970, durante o regime do Apartheid, alusão esta que o roteiro escancara logo nos seus primeiros 10 minutos.

O longa começa como um mockumentary – um documentário falso – onde personagens dão seus depoimentos e a ação é pontuada por imagens fakes de câmeras de segurança. Aos poucos, o filme vai abraçando uma narrativa mais linear: Em 1982, uma gigantesca nave alienígena entra na atmosfera terrestre e “estaciona” sobre a cidade Joanesburgo, na África do Sul. Ela fica flutuando algumas centenas de metros de altura, sem dar qualquer sinal de vida. Quando os cientistas e militares decidem invadir  o objeto, descobrem uma população inteira de alienígenas famintos e subnutridos.

Os ETs, feios pra cacete, são logo apelidados de “prawns” pela população local, pois mais parecem uns camarões gigantes. Refugiados interplanetários, acabam acomodados numa gigantesca área construída na periferia da cidade, onde vivem isolados do convívio com humanos e constituem uma grande favela extraterrestre: o tal Distrito 9.

Em duas décadas a situação torna-se incontrolável, e cabe à MNU (uma mistura de ONG com empresa bélica), desalojar os “camarões” e transferí-los para um campo de concentração fora da cidade, dispersando a revolta da população humana local. O problema se agrava quando o encarregado da missão, Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley, genial), ao tentar entregar a ordem de despejo aos extra-terrestres, entra em contato com um estranho líquido negro.

A primeira vista, Distrito 9 parece ser uma superprodução, com aliens digitais (cortesia da Weta Digital do Godfather Jackson) caminhando pra cá e pra lá, interagindo perfeitamente com os atores. No entanto, o filme foi realizado com míseros “30 milhões de dólares”, valor considerado baixo para os padrões hollywoodianos.

Só por utilizar (brilhantemente, diga-se de passagem) uma nova linguagem para narrar algo que já foi explorado à exaustão, o longa já merecia ser conferido. Mas Distrito 9 além de muito criativo é também inteligente e crítico, abordando diversas questões sociais como xenofobia, disputa territorial e luta pela democracia. Merece ser visto e revisto, não só como puro entretenimento, mas como uma obra que faz refletir.

(4/5)
Distrito 9 (District 9)
Estados Unidos / Nova Zelândia, 2009 – 112 min.
Direção e Roteiro: Neil Blomkamp.
Elenco: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike.

  • Concordo com você !! Não vou falar mais do filme para não ficar redundante mas acrescentaria mais um ponto a nota. Para mim foi nota 10!!!!!

    O sujeito que estava sentado atrás de mim no cinema estava falando que foi um dos piores filmes que já assistiu comparado a Sacrificio com Nicholas Cage.
    O.o
    Opiniões… vá entender.

  • Eu tenho que concordar com a Dani, apesar de não ter visto no cinema. Já vi umas três vezes (e meia), recomendo pra todas as pessoas que encontro, e até agora ninguém reclamou.

    Acrescentaria, fácil fácil, mais um ponto a essa nota. Hahahaha.

  • Ese filme e Avatar foram lançados no mesmo ano.Avatar é um filme sensacional e revolucionário mas,em questão de originalidade e de roteiro esse filme é superior a Avatar.Getro,você disse"uma das mais incríveis ficções científicas já realizada nos ultimos anos", mas eu diria que esse filme é umas das melhores ficções científicas de todos os tempos.