Crítica: O Grupo Baader Meinhof

O Grupo Baader Meinhof

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2008 (perdeu para o japonês “Departures”), O Grupo Baader Meinhof é uma versão quase documental sobre a organização terrorista de esquerda RAF (Facção Exército Vermelho), que comprou briga contra o establishment alemão e o imperialismo americano durante a década de 1970.

Felizmente, a obra não é um ensaio intelectual sobre a luta armada na Alemanha. O diretor Uli Edel (“Christiane F.”, “Noites Violentas no Brooklin”), soube conduzir com maestria o drama (baseado no livro homônimo do jornalista Stefan Aust), investindo em uma investigação psicológica de seus personagens, sem deixar de lado intensas cenas de ação. Cenas estas que mostram como a lógica radical do “olho por olho” transformou a luta por uma sociedade mais justa numa guerrilha urbana sangrenta. Como diria o crítico de cinema Celso Sabadin, Edel criou o gênero “ação cabeça”.

A história tem início em 1967, quando um jovem é assassinado pela polícia durante um protesto estudantil contra o Xá do Irã. Nas revoltas que se deflagram a partir daí, une-se à causa a jornalista Ulrike Meinhof e o casal extremista Andreas Baader e Gudrun Ensslin, que fundam o RAF. Com a ajuda de outros companheiros, eles planejam e executam elaborados planos de roubo a bancos, sequestros e atentados à bomba. Enquanto isso, o comandante de polícia Horst Herold tenta antecipar os passos do grupo, reelaborando as táticas policiais de combate ao terrorismo.

O filme foi acusado de aumentar a aura de heróis revolucionários que paira sobre o grupo desde os anos 70, quando 25% da população jovem apoiava as ações da facção. Mas a verdade é que Der Baader Meinhof Komplex procura apresentar uma imagem totalmente imparcial dos ícones da RAF. Entendemos o carisma de Andreas (Moritz Bleibtreu), a determinação de Gudrun (Johanna Wokalek), os conflitos de Ulrike (Martina Gedeck) e o sangue frio do chefe da polícia alemã (Bruno Ganz). Um elenco cujos nomes são difíceis de pronunciar, mas que é associado a recente boa safra de filmes alemãos, como “A Vida dos Outros”, “A Experiência” e “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”.

Guardadas as devidas proporções, a RAF significou para a Alemanha o mesmo que o MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro) foi para o Brasil no período da ditadura militar. Se você tem menos de 40 anos, é provável que nunca tenha ouvido falar de nenhum deles, exceto em livros de História ou talvez na música “Baader Meinhof Blues” do Legião Urbana. O cinema redimiu os alemães, agora vamos torcer para chegar logo a nossa vez.

(4.5/5)
O Grupo Baader Meinhof (Der Baader Meinhof Komplex)
Alemanha, 2008 – 150 min.
Direção: Uli Edel.
Elenco: Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu, Johanna Wokalek, Nadja Uhl, Bruno Ganz.

  • "O cinema redimiu os alemãos" ?! Os alemãos?!

    • "As palavras terminadas em –ão podem formar plural de três modos: -ões, -ãos ou –ães. Não há uma regra específica a ser seguida para se fazer este plural, pois pode variar entre os três e dependerá unicamente da origem da palavra, ou seja, de sua etimologia."

      – Prof. Evanildo Bechara, PhD Letras da UFRJ

      Mas vou alterar o texto em consideração a você.

    • "Poucos vocábulos tem seu plural em –ães". Alemão é um deles, assim como cão.
      Getro FAIL! Obrigado pela correção gramatical.

  • HAHAHAHA! Tô até procurando uma cópia do filme por aqui, pois o artigo despertou minha curiosidade. Ficou muito tempo em cartaz e eu achei que fosse algo no estilo 'documentário'…