Estúdio brazuca faz sucesso clonando Disney e Dreamworks

A Vídeo Brinquedo é uma produtora paulista que faz sucesso criando animações genéricas. A estratégia é sempre a mesma: produzir tosqueiras de custo baixo, baseadas nos trailers e sinopses dos filmes originais americanos.

Animações digitais com títulos como “Ratatoing”, “Carrinhos” e “Ursinho da Pesada”. Os nomes parecem familiares e não é por acaso. A Vídeo Brinquedo descaradamente pega carona em sucessos da Disney e Dreamworks para vender seus produtos. “A gente quer pegar o conceito de Bollywood”, diz Mauricio Milani, diretor de conteúdo da empresa, referindo-se à indústria cinematográfica da Índia - que toma emprestadas ideias consagradas de Hollywood.

A Video Brinquedo começou suas atividades em 2000, distribuindo desenhos como “Sonic X” e “Luluzinha”, e um obscuro desenho com temática evangélica chamado “Reino submarino”. Teve poucas cópias vendidas até que a Disney lançou “Procurando Nemo” - com o qual guardava algumas semelhanças, como a presença de um peixe-palhaço e uma história centrada na relação pai e filho. De repente, o começou a vender como água, embalado pela animação milionária. A partir daí, a Vídeo Brinquedo quis não apenas distribuir, mas também criar seus próprios desenhos.

As primeiras produções da empresa eram baseadas em contos de fada e clássicos como Pinóquio e os Três Porquinhos, feitos no estilo tradicional, em duas dimensões, mas com roteiros que modernizavam os personagens, tentando uma estética meio “Cartoon Network” que não funcionava direito nem atraia a petizada para o produto clonado.  A solução foi se adaptar aos novos tempos e partir para a animação em terceira dimensão (3D).

A estratégia começou a dar certo com o lançamento de  “Os carrinhos”, livremente baseada em “Carros”, da Disney/Pixar. Voltado para o público infantil, entre dois e três anos de idade, e comercializado por apenas R$ 9,90, “Carrinhos” vendeu absurdas 300 mil cópias em mais de 12 países, segundo dados da empresa. E uma série para a TV já está sendo negociada.

A ideia da empresa é aproveitar os temas levantados pelos grandes estúdios e iniciar a produção dos desenhos com dois a três anos de antecedência. “Tentamos imaginar o que vai estar em evidência”, revela Milani. “Ratatoing”, apesar do nome semelhante a “Ratatouille”, tem pouca coisa parecida com o desenho da Disney, a não ser que tem ratos e um restaurante. “Pensamos que seria mais infantil, uma história de gato e rato”, confessa.

Por um lado, quanto mais distante dos produtos nos quais pega carona, melhor. O risco de ser processado é menor. “Torcemos para que seja diferente”, afirma Milani, que se defende das acusações de plágio. “A história é a gente que cria. Só os temas são iguais”, garante. A Vídeo Brinquedo deve continuar apostando no que Milani chama de “estilo Bollywood”. Isso significa fazer produtos simples, feitos a baixo custo para serem vendidos por preços baixos, concorrendo não com a Disney, e sim com os piratas.

Fonte: G1  (Globo.com)


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