Esqueceram do Clint!

Clint EastwoodOs míopes velhinhos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas estão cada vez mais gagás. Até agora não estou acreditando que deixaram de fora da disputa do Oscar, o senhor Clint Eastwood e sua pequena obra-prima Gran Torino. Cagadas similiares acontecem vez por outra, que o diga Orson Welles e seu Cidadão Kane e Steven Spielberg e seus vários filmes antes de A Lista de Schindler. O esquecimento por Clint parece caduquice mesmo, visto que o ator/diretor de 75 anos praticamente tem a mesma idade dos votantes do Oscar e esteve presente na festa nos últimos anos (2005 com Menina de Ouro e 2007 com Cartas de Iwo Jima).

O jornalista Heitor Augusto no site do Yahoo! Cinema arrisca uma teoria:

A Academia não deixa de, sempre que tem oportunidade, indicar algum filme que use o nazismo como pano de fundo, um dos filões mais explorados do cinema. Assim, O Leitor, com um elenco estrelar (Kate Winslet, Ralph Fiennes) e a direção do já indicado Stephen Daldry (As Horas e Billy Elliot), entrou. E as indicações deste ano também reiteram que a Academia também gosta de cinebiografias tradicionais: ao fazer um filme mais sóbrio, Gus Van Sant e seu Milk – A Voz da Igualdade, um retrato do primeiro político gay assumido nos EUA, receberam indicações; quando mergulhou em uma viagem alucinante em Últimos Dias, retrato pouco convencional de Kurt Cobain, a Academia fingiu que não viu. O filme de Eastwood não oferece nenhum destes elementos e talvez por isso tenha ficado de fora.

No filme, Eastwood faz o papel de um velho ranzinza aposentado, ex-combatente da Guerra da Coréia que não se dá bem com a própria família e passa seus dias na porta de casa vendo o movimento da rua, tomando cerveja e xingando seus vizinhos asiáticos. Quando um jovem oriental tenta roubar seu estimado carro Gran Torino (daí o título do filme), Kowalski acaba se envolvendo com o garoto e sua familia cheia de costumes. Porém, os caminhos para esta aproximação, a intensidade da mudança e, especialmente, a maneira de fazê-la são simplesmente impressionantes, mesmo que irreais.

Clint já avisou em todos os talk-shows onde esteve para promover Gran Torino, que este será seu último trabalho como ator. Uma pena. Seu Walter Kowalski é tão sedutor quanto o brutamontes “Dirty” Harry que lhe consagrou e merecia reconhecimento maior por se tratar de uma “despedida”.

Gran-Torino estréia no Brasil no dia 06 de fevereiro.


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